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Preparar comida é para quem gosta

Há profissionais de cozinha que, depois de muita experiência, incursionam na elaboração de pratos sofisticados e até exóticos que despertam a curiosidade da sociedade e da imprensa
Luiz Lauschner
Postado por Luiz Lauschner

Ocupo este espaço para colocar minha incomensurável satisfação pelo reconhecimento do trabalho da família. Reconhecimento até pelo atrevimento de produzir em Manaus um tipo de alimentação que, em tese, não caberia no cardápio tropical: a feijoada. Depois de quase dois anos no mercado, exclusivamente para entrega, a “Feijoada no Balde” mereceu uma reportagem no site da UOL, ressaltando a inovação no sistema de produção e do modus operandi do delivery. Foi uma grande alegria, uma vez que a reportagem foi totalmente espontânea, isto é, sem grandes esforços de marketing que geralmente são necessários para tal. Contudo, o coroamento veio com o convite para confeccionar o prato na televisão em rede nacional no programa É DE CASA da rede globo de televisão.

A “Feijoada no Balde” é preparada de uma maneira totalmente inovadora. Ou por outra, talvez da maneira que a aproxime da feijoada preparada dos primórdios, sem ingredientes pré salgados e com cerca de trinta por cento menos teor de gordura se comparada ao preparo não criterioso que se vê e se come em muitas ocasiões. Isso, nem de longe, transforma a feijoada num prato light, uma vez que o feijão sozinho já é uma grande fonte de calorias, mas a torna bem mais apropriada ao clima equatorial. Tudo isso é fruto de longos estudos, experiências e comparações numa cidade onde nem sempre se encontra alternativas na hora de comprar itens diferentes. O fato de ser servida em baldes também é uma novidade e uma solução para quem transporta comidas com caldo. Além do mais, regionalmente, a expressão “no balde” exprime fartura, abundância.

A chefe de cozinha, IndianaraLauschner, que estudou farmácia e não gastronomia, como era de se supor, tem uma bagagem familiar de várias gerações em preparo de alimentos. Do lado paterno, tios tinham um abatedouro de gado e porcos, com uma fábrica de embutidos de onde saíam excelentes salsichas, salames e mortadelas. Do lado materno, os avós possuíam um hotel com uma churrascaria muito bem frequentada. Além disso, desde o início dos 1990, ainda muito jovem, auxiliava a família no restaurante e mais tarde chefiou a cozinha da Kasa do Alemão.

O enorme espaço que a gastronomiaconquistou na mídia mundial, faz com que os profissionais recebam um destaque muito especial. Porém, os que se destacam são os que realmente fazem da profissão uma atividade prazerosa levando alegria e saúde a quem consome seus pratos. Todas as pessoas, nalgum momento da vida, já tragaram comidas nada agradáveis por pura necessidade de alimentação. Contudo, aqueles que apreciam comidas bem preparadas, não se importam sequer em pagar bem pelo prazer da boa comida e da segurança de saúde que ela proporciona. Afinal, como dizia a avó paterna da Indianara, o dinheiro empregado na boa alimentação é poupado na farmácia e no hospital.

Há profissionais de cozinha que, depois de muita experiência, incursionam na elaboração de pratos sofisticados e até exóticos que despertam a curiosidade da sociedade e da imprensa. Isso é muito bom e abre um leque de novas opções. Contudo, conseguir destaque preparando de uma maneira diferente um prato tradicional e conhecido, é tarefa para poucos. Afinal, o leque para julgamento e comparativos é extenso. Quem ainda não comeu feijoada e comparou a da tia, da avó, ou àquela preparada um cozinheiro de ocasião?

Parabéns Indianara! Parabéns equipe da Feijoada no Balde! Saboreiem o momento.

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