Conteúdo especial Portal Manaus Alerta – Por Thainá Araújo

Há exatamente um ano, no dia 17 de dezembro de 2018, em uma noite que não sairá da memória da população manauara, acontecia uma tragédia que comoveu o Brasil inteiro: o segundo maior incêndio do Estado do Amazonas, no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus. Mais de 600 famílias foram afetadas e cerca de 2,5 mil pessoas tiveram perda total de suas casas e bens.

A tragédia 

Por volta das 20h, em uma noite de segunda-feira, o fogo começou em uma área com dezenas de casas de madeira entre a Rua Inácio Guimarães e Rua Nova, e aos poucos foi se alastrando para as casas de alvenaria, tomando conta de toda aquela área.

O vento constante, a dificuldade de acesso ao local e a interrupção da energia elétrica, fizeram com que a situação piorasse e o incêndio se prolongou por longas 4 horas.

De acordo com o laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC), do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), o acidente foi causado por um fogão com defeito de uma das casas que ficava no centro da comunidade.

Noite de terror

O Sr. Antônio Pereira, de 56 anos, uma das vítimas, contou para a equipe de reportagem do Manaus Alerta, que na hora do incêndio ele estava na quadra da Escola Estadual Estelita Tapajós assistindo a uma partida de futebol de seu neto, quando, na volta para a casa, foi surpreendido com a correria e gritaria dos vizinhos.

A vice-presidente do Conselho Comunitário do Educandos (CCE), Andreia Brito, também contou para nossa equipe que aquela noite foi muito difícil e de muito terror.

“A gente acompanha as famílias e todos são nossos amigos. Vimos o desespero ao acabar a água dos bombeiros e o fogo se alastrava. Foram cenas horríveis de idosos passando mal e crianças chorando. No outro dia foi que eu percebi que o fogo tinha tomado proporções imensuráveis”, explicou Andreia.

Dificuldades e Recomeços

Muitas vítimas ficaram alojadas na Igreja Católica do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, outras na Igreja Pentecostal do Brasil e no Conselho Comunitário. Vários outros lugares do bairro também foram cedidos para alojamento e recebimento de doações.

De acordo com Andreia Brito, as doações foram feitas, mas a maioria não chegou até as vítimas.

“Alguns imigrantes acabaram pegando doações no lugar de quem deveria realmente pegar. Chegavam pessoas de outros municípios e se passavam por moradores, o que fez com que muita coisa não chegasse até as vítimas. Isso sem contar a fraude na hora do cadastro, pois muitos eram de fora e não tinham nada a ver com o incêndio”, disse a vice-presidente.

Sr. Antônio Pereira, que morava de aluguel com a família de cinco pessoas, foi uma das vítimas que perdeu todos os seus bens e a casa onde morava, tendo que dormir durante alguns meses na casa de amigos e sobrevivendo inicialmente com doações.

Hoje, Sr. Antônio Pereira e sua família conseguiram alugar outra casa no bairro de Educandos e reconstruíram suas vidas. Ele recebe uma quantia de R$300,00 por mês da Prefeitura de Manaus e, logo após o acidente, recebeu do Governo do Amazonas a quantia de R$900,00.

Felizmente, todas as famílias estão abrigadas e reconstruindo suas vidas como podem.

“Esperamos para o próximo ano que as vítimas possam ter seus recomeços como merecem, pois, mesmo que todas tenham um lugar, muitos ainda passam muitas dificuldades. Cada uma batalha como pode para voltar a ter sua vida reconstruída”, finalizou Brito.

Animais

Cerca de 100 animais também sofreram com o incêndio. Uns não resistiram, enquanto outros ficaram machucado e se perderam de seus donos pelo bairro. Na época, algumas clínicas particulares se uniram e alojaram os animais enfermos em suas dependências até que estivessem com a saúde estabilizada.

Alguns conseguiram encontrar seu legítimo dono e outros foram adotados por outras pessoas. De acordo com Sámeq Santigo, assessor da Deputada Estadual Joana Darc, que teve bastante participação no resgate, eles continuam ajudando, mesmo aqueles que já foram adotados.

“Procuramos manter contato com os tutores de todos os animais que foram adotados, prestando sempre ajuda e auxílio com consultas e o que estiver ao nosso alcance”, contou Sámeq.

Atualmente, as famílias estão aos poucos se estabilizando com seus respectivos empregos e outras doações. Além de indenizações vindas dos órgãos públicos, a área também irá ganhar, no próximo ano, um Prosamim para quem foi afetado pelo incêndio.

*Matéria especial Thainá Araújo*

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