Amazonino afirma que é ficha limpa, mas candidato responde a vários processos que tramitam na Justiça estadual

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Candidato responde a vários processos que tramitam na Justiça estadual

O candidato à reeleição Amazonino Mendes (PDT) tem abusado do discurso de que é ficha limpa, de que nunca foi condenado e que serve de exemplo do “bom político” que deixou legados e feitos ao longo de suas gestões à frente do Governo do Estado e da Prefeitura de Manaus.

Numa trajetória de 35 anos de carreira pública, em que se autointitula mentor de muitos nomes da política local, Amazonino afirmou em entrevista ao G1 Amazonas, na última terça-feira (16), que “talvez seja a única resistência no país” e disse que não quer ser colocado no mesmo balaio de políticos ficha-suja.

Amazonino esquece, no entanto, dos processos que responde na Justiça por improbidade administrativa e por irregularidades na contratação da empresa Consladel, responsável pelos radares de controle de velocidade em Manaus, durante sua gestão como prefeito entre 2008 e 2012. De acordo com a denúncia do MP-AM, o contrato da Cosladel causou prejuízo de R$ 40 milhões aos cofres públicos. Os processos correm em segredo de justiça.

Compra de votos e enriquecimento ilícito

Além de processos judiciais que evidenciam a sua inabilidade administrativa, Amazonino também foi acusado de compra de votos na eleição municipal de 2008. Na ocasião, teve o registro de sua candidatura cassado pela Justiça Eleitoral, assumindo o comando de Manaus por força de liminar.

O candidato à reeleição, que pretende chegar ao seu quinto mandato, também é alvo de denúncias de enriquecimento ilícito, a exemplo do que aconteceu em sua terceira gestão no governo, entre os anos de 1998 e 2002. A construção de uma mansão de 2,5 mil metros quadrados, avaliada em R$ 4,3 milhões (valores atualizados), foi alvo de pedido de investigação do então deputado estadual Mário Frota, negado pelo então presidente da Assembleia e aliado de Amazonino, Lupércio Ramos.

Na segunda gestão de Amazonino (1995-1998), o então governador foi algo de investigação do Ministério Público na compra de mais de 200 toneladas de peixe para as escolas da rede estadual. O então secretário de educação de Amazonino, José Melo, chegou a ganhar o apelido de “Zé Merenda” na ocasião. É o mesmo José Melo que se elegeu governador em 2014 e que chegou a ser preso em 2017, acusado de participar de um esquema de corrupção na saúde.

Pesa ainda contra o decano da política amazonense a manobra em torno da emenda à reeleição, em 1997, para aprovar a proposta do Governo Federal que garantisse a reeleição dos mandatos do Poder Executivo. À época, os governadores Amazonino Mendes e Olair Cameli, do Acre, foram acusados de orientar suas respectivas bancadas no Congresso Nacional a comprar votos em favor da matéria, segundo matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo e na revista Veja, entre outros veículos da imprensa nacional.