Armas supostamente roubadas da coleção de coronel morto em Manaus são recuperadas

foto: Erlon Rodrigues/PC-AM

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da equipe de investigação da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (Derfv), sob o comando do delegado Cícero Túlio, titular da Especializada, deflagrou, nesta quarta-feira (28), a operação ‘Néphila’, e cumpriu mandados de busca e apreensão acerca de 108 armas de fogo de diversos calibres que foram, supostamente, roubadas do acervo de coleção do coronel Fernando Valente, que faleceu em 2018.

Ao longo da ação policial, aproximadamente 37 armas de fogo foram recuperadas. O crime ocorreu no dia 3 de outubro deste ano, no bairro Parque Dez de Novembro, zona centro-sul de Manaus.

Conforme o delegado Cícero, na ocasião do delito, a viúva do coronel, de 42 anos, juntamente com a filha de 24, e a companheira dela de 25, informaram que as 108 armas tinham sido roubadas por criminosos que teriam se identificado como falsos policiais. Segundo o delegado, a viúva é a inventariante no processo de inventário dos bens do coronel e acabou dilapidando o patrimônio deixado pelo marido antes de haver a autorização judicial e a aprovação dos demais herdeiros.

“Nos últimos atos processuais da ação de inventário, ficou acertado entre os herdeiros que as armas, objeto da coleção, seriam alienadas, porém as autoras já haviam vendido os armamentos desde o ano de 2018, época da morte do coronel da PM, sem a aprovação dos demais herdeiros e sem autorização judicial”, explicou o delegado.

De acordo com a autoridade policial, as investigações iniciaram ainda no dia 4 de outubro, quando foram informadas que, durante o roubo das armas, um dos veículos da casa também havia sido subtraído. No mesmo dia, os policiais localizaram o carro da família e o outro utilizado para dar apoio no ato criminoso. E as investigações apontaram que as autoras, possivelmente, articularam a simulação do roubo das armas a fim de influenciar nas decisões que pudessem ser proferidas no curso da ação de inventário, fazendo com que o juiz acreditasse que as armas tinham sido de fato subtraídas durante o suposto roubo.

Cícero relatou que as equipes suspeitaram da ação, pelo fato de os celulares delas terem sido recuperados rapidamente. E também por elas terem noticiado a ocorrência cerca de 12 horas após a ação, sendo esse tempo suficiente para que os demais envolvidos pudessem se desfazer dos veículos sem correrem o risco de serem presos ou abordados pela polícia. Desde então, as autoras passaram a dificultar as investigações policiais.

“As interceptações telefônicas revelaram que as infratoras ajustaram entre si, apagar atos comprometedores dos seus telefones. E combinaram discrição quanto a assuntos tratados via telefone para não levantar suspeitas sobre os fatos”, comentou Cícero.

O delegado informou, ainda, que diversos atiradores desportivos que compraram as armas de fogo desde o ano de 2018, foram ouvidos na delegacia e comprovaram boa fé na aquisição das armas vendidas clandestinamente pela viúva.

“Também foi averiguado que a viúva vendia as armas para determinadas pessoas, prometia entregar o armamento, após a autorização por parte do Poder Judiciário, no entanto, a infratora acabava revendendo para outros indivíduos, que compravam na boa fé”, comentou o delegado.

Segundo o titular, no decorrer da ação policial, que durou 25 dias, a equipe de polícia conseguiu recuperar aproximadamente 37 armas de fogo. E durante as buscas, três aparelhos telefônicos e três notebooks utilizados por elas foram apreendidos mediante ordem judicial.

O titular da Derfv destacou que as pessoas que adquiriram os armamentos devem procurar imediatamente a Especializada, para realizar a entrega das mesmas, ou poderão responder por receptação. Caso sejam atiradores desportivos, poderão perder o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, inclusive com remoção de eventuais armas que façam parte dos seus acervos.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Central de Inquéritos na última segunda-feira (26). Eles foram cumpridos em dois lugares distintos, sendo o primeiro em um condomínio de luxo, situado na avenida Professor Nilton Lins e o outro em um condomínio localizado na avenida Torquato Tapajós. A operação recebeu o nome de ‘Néphila’ por fazer referência a uma aranha conhecida como ‘Viúva-Negra”.

Procedimentos

As autoras responderão, após a finalização dos Inquéritos Policiais (IPs), por falsa comunicação de crime, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica e estelionato. A polícia continuará nas investigações para tentar identificar a participação de outros envolvidos.

Com informações da assessoria