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Bronzeamento natural com fitas adesivas vira febre em Manaus

Keila Roberta Lima, proprietário do espaço Bronze da Nega, do bairro Praça 14, acredita que sua atividade ajude a melhorar os casamentos manauaras.
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No final do ano passado, descobrimos a Erika Romero, empreendedora que conquistou fama nacional bronzeando as clientes com óleo e biquíni de fita isolante, na laje de sua casa, no Rio. Agora, constatamos que essa inovação ganhou grande escala em Manaus. A capital do Amazonas, por sinal, requer para si o status de capital do bronzeamento natural. A moda do bronzeamento com biquíni de fita adesiva é disseminada por todos os bairros manauaras. A secretaria de saúde local não tem uma estimativa do número de clínicas hoje em atividade.

Segundo a esteticista goiana Luana Toledo, que trabalha há 12 anos com bronzeamento natural, Erika Romero foi sua aluna. “A Erika Bronze fez o curso à distância comigo”, conta a empresária, que teve papel importante na transmissão da técnica para as empresárias manauaras desse segmento. “Antes de a mídia do Rio, que é muito forte, fazer matérias sobre ela, já havia muitos lugares em Goiânia oferecendo esse serviço. Hoje, Manaus tem uma demanda forte, mas não apenas. Mato Grosso e parte de Minas são lugares em que muitas mulheres buscam esse tipo de bronzeamento.”

Há dois anos, Luana visita quadrimestralmente Manaus para ministrar cursos de bronzeamento natural a classes com 20 a 30 alunas. “Do total de alunas, observamos que 80 a 90% abrem clínicas de bronzeamento. Algumas se inscrevem no curso apostando que terão facilidades para oferecer o serviço no quintal de casa e montar os biquínis com fitas, mas é mais complicado do que isso. Elas temem expor as clientes a queimaduras. É preciso estudar os tipos de peles, utilizar produtos de qualidade, observar os horários.”

Essa modalidade de bronzeamento não é avalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem por qualquer outro órgão de saúde, e não é recomendada por dermatologistas. Não são incomuns os episódios de insolação e queimaduras pelo corpo em clínicas que trabalham com menos zelo.

Os empresários envolvidos nesse segmento não se queixam da falta de clientes. “Tenho duas unidades da Espaço Pink, na zona sul e na zona norte. Na soma dos dois, atendo 60 clientes nos meses de verão. Na estação chuvosa (que se desenrola por seis meses) esse número cai para cinco ou seis. Não dependo apenas do bronzeamento: oferecemos depilação, limpeza de pele e massoterapia”, diz Eriany Souza, que cobra R$ 80 pelo “bronze completo” (que inclui descoloração de pelos) e R$ 60 pelo serviço que não inclui a descoloração.

No centro de Manaus é fácil encontrar biquínis feitos de fita isolante para o bronzeamento natural. A Sociedade Brasileira de Dermatologia adverte que a exposição excessiva ao sol em lajes ou quintais pode resultar em queimadura de segundo grau, insolação e câncer em forma crônica. Quando a técnica consiste na utilização de ativadores (óleos) em vez de filtros solares, obviamente é mais danosa à pele.

Keila Roberta Lima, proprietário do espaço Bronze da Nega, do bairro Praça 14, acredita que sua atividade ajude a melhorar os casamentos manauaras. “A gente fica perplexa com os resultados e comentários. Os homens adoram. Chegamos à conclusão de que uma marquinha não é apenas uma marquinha”.

Fonte: Estadão

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