Campanha Laço Branco mobiliza homens pelo fim da violência contra as mulheres

Propostas e imposições inapropriadas e constrangedoras de cunho sexual, praticadas por superiores no ambiente de trabalho, caracterizam-se como assédio sexual.

Cerca de 13 assassinatos por dia e um total de 4.936 mulheres mortas em 2017, o maior número registrado na década, segundo dados da publicação do Atlas da Violência 2019. Além disso, 55,3% de homicídios de mulheres foram cometidos no ambiente doméstico e 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo com dados do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Para combater essa realidade, o Brasil adotou a campanha internacional Laço Branco, realizada durante todo o mês de dezembro, e a lei nº 11.489, de 2007, instituiu 6 de dezembro como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

De acordo com o psicólogo do Hapvida Saúde, Wilton Cabral, a violência, além de física, pode ser psicológica, patrimonial, sexual e moral. “A violência contra a mulher ainda é um fato muito presente em nossa sociedade. Alguns exemplos são quando a mulher não pode falar o que quer, mantém relações sexuais sem vontade, o parceiro não a deixa trabalhar, xinga ou menospreza a mulher. São formas de violência mais difíceis de serem percebidas, até porque vivemos em uma sociedade que vê a feminilidade como ‘ser passiva’”, destaca.

Dentre 100 municípios com mais de 10 mil habitantes do sexo feminino (com as maiores taxas médias de homicídio de mulheres/por 100 mil), o município de Barcelos (distante cerca de 400 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas) aparece em primeiro lugar das 10 primeiras posições do ranking nacional. Em seguida estão: Alexânia/GO (2º), Sooretama/ES (3º), Conde/PB (4º), Senador Pompeu/CE (5º), Buritizeiro/MG (6º), Mata de São João/BA (7º), Pilar/AL (8º), Pojuca/BA (9º) e Itacaré/BA (10º).

Amazonas

De acordo com dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), os registros de feminicídio em Manaus tiveram um aumento de 300% de 2018 para 2019, nos meses de janeiro a outubro dos dois anos e também mostra um índice de crimes contra mulheres de toda natureza.

Segundo os dados do Sisp, entre janeiro e outubro de 2018, três casos de feminicídio foram registrados em Manaus. Já em 2019, durante o mesmo período, o número quadruplicou, onde 12 crimes contra mulheres foram registrados pela polícia.

O que fazer?

Para ajudar a transformar essa realidade, o especialista classifica algumas recomendações para que os homens possam refletir sobre seus comportamentos e sejam multiplicadores de boas condutas em defesa das mulheres:

– Questione suas próprias atitudes e comportamentos

– Seja respeitoso com mulheres, jovens e crianças do sexo feminino

– Nunca use força, ameaças ou violência em seus relacionamentos

– Seja um bom modelo e compartilhe com as pessoas ao seu redor a importância de respeitar as mulheres

– Aprenda sobre o impacto da violência contra as mulheres na sociedade e posicione-se a respeito

– Dê apoio a uma possível vítima e ajude-a a buscar auxílio especializado

– Reaja ao uso de linguagem ofensiva, piadas sexistas e intimidação

– Aceite seu papel para ajudar a acabar com a violência contra as mulheres

Como denunciar?

Vítimas ou pessoas que tenham conhecimento de um caso de violência contra a mulher podem denunciar o crime procurando uma delegacia ou ligando para o Disque 180, número da Central de Atendimento à Mulher que funciona 24 horas por dia em todo o território nacional. A ligação é gratuita.

Sobre a data

No dia 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, 25 anos, entrou armado em uma escola em Montreal, no Canadá. Em uma sala de aula, ordenou que todos os homens se retirassem e assassinou 14 mulheres e depois saiu atirando pelos corredores e outras dependências da escola, gritando “Eu odeio as feministas”, o que deixou mais 14 pessoas gravemente feridas, das quais 10 delas eram mulheres. Após o massacre, o jovem se suicidou. O crime, que ficou conhecido como o “Massacre de Montreal”, mobilizou a opinião pública daquele país, onde homens que repudiam o ato adotaram como lema: jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência

A data integra o calendário da ação 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, da Organização das Nações Unidas (ONU), que mobiliza diversos setores da sociedade civil e poder público nesse enfrentamento. A campanha começa em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Com informações da assessoria