Casos de violência política aumentaram no país a partir de 2018

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A cada 13 dias, o Brasil registra pelo menos um caso de violência contra representantes de cargos eletivos, candidatos ou pré-candidatos. Os dados são do relatório “Violência Política e Eleitoral no Brasil” que traz um panorama dessas ocorrências no país. O levantamento foi elaborado pelas organizações não governamentais Terra de Direitos e  Justiça Global.

Segundo o estudo, a violência política é uma prática disseminada, que tem afetado agentes políticos de todos os níveis federativos e de diferentes filiações partidárias. A prática também pode ser observada e contra grupos que o estudo aponta como excluídos do processo político, como negros, lgbts, mulheres e ainda contra instituições públicas.

De 1º janeiro de 2016 a 1º de setembro de 2020, foram  registrados 327 casos de violência política. Entre eles, 125 assassinatos e atentados, 85 ameaças, 33 agressões, 59 ofensas, 21 invasões e 4 casos de criminalização. O relatório revelou quem em mais de  63% das investigações em curso  não foram identificados suspeitos dos crimes.

O estado do Rio de Janeiro foi o que registrou o maior número de assassinatos e atentados, 18 no total. A grande maioria  das vítimas da violência política, 91%, são os ocupantes de cargos eletivos municipais ou candidatos.

Após as eleições de 2018, o estudo aponta um acirramento dos casos de agressões motivadas por violência política. Foram 136 ocorrências em 2019,  um episódio a cada três dias no Brasil. O número é  três vezes maior do que o registrado em 2016.

A coordenadora da Terra de  Direitos, Élida Lauris lembrou dois casos emblemáticos da violência política, em 2018: a execução da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, e o atentado a faca contra o então candidato a presidência Jair Bolsonaro, em ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Segundo a  coordenadora esses casos não inibiram a escalada de violência e   a situação atual é grave e de alerta, já que põe em risco a própria democracia.

Os números da  violência política também expõem a desigualdade de gênero.  Diferentemente dos homens que são em geral alvo de agressões físicas, as mulheres são afetadas em sua dignidade, como explica Lauris. No entanto, há um alerta de que agressões físicas contra as mulheres também podem aumentar.

Neste ano, o estudo aponta que até o dia 1º de setembro, antes do período eleitoral, houve aumento de 37% dos casos de violência política em relação a 2016.

As informações são da Agência Brasil