Chineses já estão tomando vacina desenvolvida no país

Empresas disputam produção da vacina, mesmo sem testes estarem completos

Crédito - Governo da China

Desde o final de setembro, sites internacionais e agências de notícias tem mostrado que chineses estão sendo vacinados com uma vacina contra o coronavírus que ainda não passou por todos os testes. A decisão do governo chinês faz parte de uma disputa contra os Estados Unidos, na figura do presidente Donald Trump.

O atual presidente estadunidense corre contra o tempo para aprovar uma vacina contra o coronavírus antes das eleições norte-americanas, em novembro. Esse seria um ativo eleitoral fundamental para Trump, em meio ao recorde de mortes em decorrência da doença que o país vive neste momento.

A vacina chinesa está sendo produzida pela empresa China National Biotec Group, ou CNBG, uma empresa farmacêutica com sede em Pequim que é a maior fabricante de vacinas do país.

Segundo relatos ouvidos pela revista New Yorker, que não é um novo jornal, mas um dos veículos mais tradicionais da imprensa norte-americana, não é incomum ouvir de cientistas e pesquisadores que vivem em Pequim e Xangai que já tenham acesso a uma vacina da CNBG, que atualmente está na fase 3 de aprovação.

De acordo com a revista, Jiang Xilin, nascido em Xangai, mas que atualmente estuda medicina genômica e estatística na Universidade de Oxford, na Inglaterra, já providenciou uma vacinação quando retornar à China durante as férias escolares de inverno.

Essa situação envolvendo a China e o mercado de vacinas não é propriamente uma novidade. O cientista que desenvolveu a primeira vacina viva contra a poliomielite da China, em 1960, a administrou a seu filho bebê antes que os testes em massa fossem realizados.

Nos Estados Unidos, Jonas Salk fez a mesma coisa com sua própria vacina contra a poliomielite. Na Universidade de Pittsburgh, a esposa de Salk e três filhos foram injetados voluntariamente em 1953, dois anos antes de a vacina ser declarada segura e eficaz.

Na China, pessoas que tomaram a vacina podem contribuir com dados úteis sobre os efeitos colaterais, mas não revelam muito sobre a eficácia da vacina, visto que o país eliminou em grande parte os casos de covid -19 desde a primavera.

Além da China, a empresa CNBG também inscreveu mais de cinquenta mil participantes nos Emirados Árabes Unidos, Peru e outros países da América do Sul e Oriente Médio que atualmente sofrem de surtos.

No início deste mês, Nawal al-Kaabi, chefe do covid dos Emirados Árabes Unidos-19 Comitê de Gestão Clínica, disse que, dos trinta e um mil voluntários que tomaram a vacina chinesa, nenhum teve efeitos colaterais graves.