Comissão de Igualdade Racial reforça recomendação sobre substituição do termo ‘Black Friday’

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

A Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) reforçou a recomendação da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) que sugere ao comércio a substituição do termo “Black Friday” por “Semana Promocional”. A recomendação emitida pela Defensoria na última semana visa o respeito às comunidades afrodescendentes.

O apoio foi manifestado em nota assinada pela presidente da Comissão, Ana Carolina Amaral de Messias. No documento, Ana Carolina cita o caráter historicamente racista da expressão Black Friday, a falta de contexto do termo estrangeiro no comércio brasileiro, além de destacar uma obrigatória mudança de hábitos ultrapassados que perpetuem o racismo estrutural e institucional no Brasil.

“A manutenção de termos que depreciem a cor que representa e caracteriza a maior parte da população brasileira não acompanha a evolução dos debates sociais com ênfase em temas raciais, que vem trazendo efeitos positivos à nação. (…) Nenhum ato de retrocesso pode ser considerado justo, em especial quando destes resultam discriminação e desvalorização de uma raça ou de um povo”, diz trecho da nota emitida pela Comissão.

Recomendação

Na última semana, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) recomendou aos comerciantes que substituam o uso do termo “Black Friday” por “Semana Promocional”, para se referir à temporada de preços baixos que tradicionalmente ocorre em novembro. A medida visa o respeito às comunidades afrodescendentes.

A recomendação assinada pelos defensores públicos Christiano Pinheiro e Leonardo Aguiar foi direcionada à Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL) e à Associação Comercial do Amazonas (ACA).

Para recomendar a medida ao comércio, os defensores consideraram que o possível contexto histórico do termo “Black Friday”, que em português significa “sexta-feira preta”, diz respeito à correlação entre produtos com descontos e o preto, como se a cor significasse algo com valor diminuído.

“A palavra preto (black), independentemente da língua ou vernáculo na qual é articulada, é utilizada de forma pejorativa, empregada no menosprezo a uma raça inferiorizada pela intolerância e subjugo histórico”, escrevem os defensores na recomendação.

Christiano e Leonardo também apontam que a expressão “sexta-feira negra” tinha o adjetivo usado para se referir a eventos ruins como calamidades e crises. Além de citar, na recomendação, que grandes empresas brasileiras baniram o termo em respeito aos movimentos que sentem desconforto.

“Os termos negro, escuro, preto são utilizados de forma depreciativa, fazendo referência a situações negativas e indesejáveis, tais como: peste negra (black plague), a coisa está preta, o lado negro da força (the dark side of), coisa de preto (black thig), tinha que ser preto, serviço de preto (black service), mercado negro (black market), não sou tuas negas, denegrir (denigrate), magia negra (black magic), lista negra (the black list), ovelha negra (black sheep), Dark Web”, afirmam.

Os defensores também citam a diferença de contextos entre o Brasil e os Estados Unidos, onde a expressão “Black Friday” começou a ser usada para se referir ao período de descontos praticado anualmente no mês de novembro.

“Nos Estados Unidos da América o termo Black Friday é utilizado um dia após o Dia de Ação de Graças, com uma representatividade comercial local, o que torna a utilização do termo fora de contexto no Brasil, com uma conotação de discriminação racial, ao dizer que o dia preto é promocional”, avaliam.

As informações são da assessoria