Manaus

Covid-19: fisioterapeuta que atua na linha de frente, é vacinada e agradece: ‘Sensação é de esperança’

Nos últimos dias, desde a sua aprovação, a vacina tem sido um dos maiores desejos de todos nós. Por algum motivo, há quem não queira, mas também tem aqueles, principalmente que estão atuando na linha de frente do combate à Covid-19 que querem e que já conseguiram ser vacinados, como é o caso da fisioterapeuta Jennifer Letícia Nery, que está lidando com toda esta situação e vendo de perto o drama que estamos vivendo desde maio de 2020.

Graduada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para ela, a sensação é de esperança em dias melhores. “A vacina é também uma forma de respeito com cada vida que se foi e não teve a mesma oportunidade, é um ato de respeito com a minha saúde e com a saúde das pessoas ao meu redor”, ressaltou Jennifer, ao contar que antes do 2° pico da doença, estava estudando e fazendo pós graduação de fisioterapia em terapia intensiva.

Em 2020, Jennifer montou uma clínica de fisioterapia (Espaço Cardio) e passou a tratar pacientes que sofreram com sequelas graves que a Covid deixou, como fraqueza muscular, cansaço, falta de ar e outros.
Centro de Terapia Intensiva (CTI) e Semi Intensiva

Trabalhando na rede privada desde maio de 2020, recentemente Jennifer começou a trabalhar para o Estado, dentre as unidades o Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, vendo de perto o drama, ajudando pessoas a não serem mais uma vítima do novo coronavírus e que um parente ou amigo não chore pela perda de alguém.

“Em ambos, atuo nos Centro de Terapia Intensiva (CTI) e Semi Intensiva, cuidando diretamente do paciente crítico. O trabalho da fisioterapia nesse ambiente é de extrema importância uma vez que atuamos no tratamento das disfunções respiratórias e funcionais, visando a melhor intervenção de acordo com as necessidades individuais”, comentou a jovem, destacando que trabalhar na pandemia é o maior desafio de sua vida.

“Sempre quis trabalhar no ambiente hospitalar e me sentia no meu lugar quando ali estava. No entanto, trabalhar no ambiente hospitalar pandêmico, lidando com um desconhecido, perigoso, rápido e letal é preciso muita coragem”, disse.

foto: Arquivo Pessoal

Trabalho em equipe e valores

Jennifer conta que as lições que pode tirar sobre como é trabalhar durante a pandemia, são inúmeras e que todo dia é um grande aprendizado, não só para ela, mas também para outros profissionais que atuam arduamente nos hospitais de Manaus e do Amazonas.

“Desde o primeiro dia de trabalho até o último plantão, todos os dias levamos um aprendizado. Basta saber olhar. Aprendemos a agradecer, a trabalhar em equipe, aprendemos sobre nós, sobre nossos limites e nossos medos, mas também conhecemos nossas forças e os nossos valores. Aprendemos que tudo depende da perspectiva e principalmente que a gente sempre pode fazer mais ou fazer melhor e que isso vai ser muito significativo na vida de alguém”, disse.

“Daqui pra frente espero que os valores sejam voltados a quem realmente merece. Aos profissionais da saúde que trabalham incansavelmente, dos fisioterapeutas aos maqueiros do hospital; Aos pesquisadores, que vivem sob ameaça de corte de gastos e ainda assim fazem a ciência ser revolucionária; E que as políticas públicas de modo geral, sejam íntegras, planejadas e executadas afim de atender as necessidades com equidade”, destacou.

Todos são o amor de alguém

Perguntada sobre os momentos marcantes dentro da unidade hospitalar, ela diz. “Dentre todas as situações vividas, as altas são sempre muito celebradas mas as perdas também marcam muito, a mãe que deixou um filho sozinho, o pai de família que não se despediu e não pôde da sustento, o filho que não disse eu te amo para os pais, o avô que ainda não viu o novo neto, a jovem que ia começar a faculdade, o profissional da saúde que não podia deixar de trabalhar e que salvou muitas vidas mas não pôde salvar a da mãe… cada pessoa que passa pela nossa vida, que se vai ou que retorna para família, todos são o amor de alguém e também são o nosso paciente e todos deixam alguma lembrança”, finalizou.

Por Kamyla Gomes- Portal Manaus Alerta

foto: Arquivo Pessoal