Decisão política sobre caminhoneiros esbarra na economia

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Integrantes do governo se reúne nesta segunda (22) com lideranças da categoria para tentar um acordo. Eles prometem greve para maio. Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES

O impasse entre o governo federal e os caminhoneiros tende a elevar ainda mais o clima dessa semana. A categoria promete iniciar uma nova greve no próximo mês. Na corrida contra o tempo, o Palácio do Planalto tenta costurar um acordo, que ainda parece estar longe de ser alcançado.

O maior temo do governo é que a situação degringole de tal forma que cenas como as vistas em 2018, quando em 10 dias os caminhoneiros paralisaram o país e deixaram um rastro de prejuízos na economia, se repita. A equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) já fez algumas concessões. A categoria, no entanto, ainda não demonstra estar satisfeita.

Nesta segunda-feira (22/04/19), ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, se reúne com representantes dos caminhoneiros. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) deve apresentar uma pauta de reivindicações. O aumento de R$ 0,10 por litro de diesel nas refinarias deixou os ânimos alterados na entidade.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, sabe da dramaticidade dessa negociação. Para ele, Bolsonaro está “entre a cruz e a espada” na cruzada com os caminhoneiros. A declaração foi dada ao jornal carioca O Globo na edição desta segunda-feira (22/04/19).

O general explica que o governo está entre uma decisão política que pode evitar uma paralisação do transporte de cargas no país e o limite econômico, com cofres esvaziados. O ministro defende que cabe agora à categoria entender as restrições “matemáticas” do Executivo federal para atender todas as reivindicações.

“O governo precisa entender os segmentos sociais, no caso um segmento importante que é o de transporte de cargas, mas o setor também tem de entender a conjuntura em que vive, que não é isolada da conjuntura nacional. Toda essa carga de sacrifícios tem que ser da responsabilidade de todos”, avalia Santos Cruz.

O ministro entende que as condições de transporte de carga no Brasil são “difíceis” e afaga a categoria. “É um trabalho desgastante e honroso que move uma grande parte da economia do Brasil. Tem problemas, e o governo tem de procurar ajudar na solução, mas a categoria também tem de entender que isso tudo existe dentro dos limites do contexto econômico, de legislação, que precisa ser entendido também”, conclui.

Para ele, a possibilidade de greve ser vista com muita responsabilidade. “Ninguém é contra a liberdade de expressão, de associação, isso é fundamental. Os sindicatos existentes, a dinâmica, o jogo de pressão, é assim que funciona um país. A democracia funciona assim, mas é preciso ter responsabilidade”, destaca.

Pacote de medidas

Na semana passada, com intuito de evitar futuras paralisações, o governo anunciou medidas para o setor de transportes rodoviários. Entre elas está a criação de uma linha de crédito de até R$ 30 mil para caminhoneiros autônomos que vai permitir a compra de pneus e a manutenção dos veículos.

Está prevista a reserva de R$ 2 bilhões para a conclusão de obras e a manutenção de rodovias por todo o Brasil. O governo também quer criar o cartão-combustível, em parceria com a Petrobras, para agilizar o abastecimento dos caminhões.

Os caminhoneiros vivem nos bastidores uma disputa de poder na categoria. O grupo é dividido entre lidernaças consideradas “radicais” e outra que é mais “moderada”. A segunda ala é mais próxima ao governo e tem sido ouvida por integrantes do Palácio do Planalto e da equipe econômica.

Fonte: Metrópoles

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