Estudos mostram possíveis eficiências do líquido da castanha de caju em combate à Covid-19

Foto: Reprodução/JBR

Uma pesquisa em andamento pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) com o Líquido da Castanha de Caju (LCC) pode trazer mais uma resposta no combate ao novo coronavírus. A casca da oleaginosa originária do Nordeste brasileiro demonstrou ser eficaz no rompimento das estruturas externas do vírus, fazendo com que ele morra.

Segundo informações do site JBR, por mais que os resultados apresentados sejam positivos para a pesquisa, não significa que a ingestão da castanha ajuda na prevenção ao vírus pelo corpo humano. A oleaginosa possui muitas calorias e nutrientes úteis à saúde, mas não há comprovações científicas de que apenas se alimentar dela ajude na eliminação da doença.

De acordo com o professor coordenador da pesquisa, Luiz Romero, do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde e do Núcleo de Medicina Tropical (NMT) da Faculdade de Medicina da UnB, a matéria prima utilizada – um líquido escuro extraído da casca da castanha – vem de resíduos industriais e é objeto de pesquisa do Laboratório de Desenvolvimento de Informações Terapêuticas (LDT) há 20 anos.

“Como esse composto tem uma cadeia celular longa, ele age como se fosse um detergente. Já tínhamos visto que são ativos para outros vírus como o da dengue e chikungunya. Como os vírus têm a mesma característica [uma camada bilipídica], ele interage com os compostos longos da castanha, fazendo com que seja destruído”, afirmou o coordenador.

Ainda de acordo com o site JBR, são duas perspectivas pensadas na pesquisa para que, após a fase de testes, o produto gerado seja utilizado: uma de caráter preventivo à proliferação da covid-19, e outra de utilização terapêutica. “[O preventivo é] um produto que a gente possa fazer de uso rápido, para desinfetar superfícies e melhorar a eficácia dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs)”, explicou.

“E o outro [de utilização terapêutica é] a longo prazo, como fármaco. Se forem ativos, passamos para uma segunda etapa de estudos em animais e depois clínicos [em humanos]”, completou. Esta segunda etapa depende, de acordo com Luiz, com a colaboração e investimento governamental para as pesquisas. “Com a posse dos recursos, pode-se encurtar uma pesquisa de 10 anos para 3, por exemplo. É uma questão de prioridade de investimentos”, constatou.

Experiência

Conforme o site JBR, como parte do processo de testagem do agente, 65 amostras do material que estavam disponíveis na biblioteca de químicos da UnB foram enviadas para a Universidade de São Paulo (USP) para ensaios sobre o efeito da substância em humanos. O intuito é encontrar uma seletividade do LCC contra o vírus, mas não prejudicial às células do corpo humano. Os resultados, segundo os pesquisadores da faculdade paulista, foram considerados “muito bons” e devem ser enviados à UnB novamente nesta semana.

“A partir daí teremos, literalmente, uma ideia de como os compostos estão funcionando”, afirmou Luiz. É com os resultados desta primeira etapa in vitro que já se poderão pensar em produtos profiláticos de prevenção e desinfecção contra o novo coronavírus. Observando qual foi o composto com melhores performances, a produção em escala será aumentada em miligramas em laboratório. A discussão passa a ser, junto aos professores da farmacotécnica quais seriam os melhores produtos.

“Será um material para desinfectar hospitais, e inibir o crescimento do vírus, diminuindo a proliferação? Será um material para banheiro como uma pastilha no vaso sanitário – porque sabemos que o vírus SARS-COV-2 dura até 27 dias nas fezes? Será um spray para uso em ambientes coletivos ou mesmo de uso domiciliar? As perspectivas são várias”, disse o professor e coordenador do projeto, Luiz Romero, que está otimista com os possíveis desdobramentos do produto.

O site JBR ressalta que de acordo com informações da UnB, juntamente com o professor Luiz Romeiro, a equipe conta ainda com a professora Djane Duarte, do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde (FAR/FS); a estudante de doutorado Andressa Oliveira e a de mestrado Natália Monteiro, ambas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PGCF/FS), e os professores Lúcio Freitas-Júnior e Carolina Borsoi Moraes, ambos do Laboratório Phenotypic Screening Platform, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).