FCecon dá continuidade a projetos que humanizam atendimento em 2020

Foto: Rhyvia Araújo/FCecon (Biblioterapia)

Projetos de humanização da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) buscaram melhorar o atendimento e dar mais alegria e leveza aos pacientes em tratamento na unidade hospitalar em 2019. Seja com leitura, música ou cardápio diferenciado, as ações continuam neste novo ano, como uma das metas da atual gestão.

Uma das iniciativas nasceu em meados de 2019, após conversas entre a Fundação Cecon e a Casa de Saúde do Índio (Casai Manaus), que traz até a instituição os índios aldeados de vários municípios do Amazonas para fazerem tratamento de câncer. O projeto foi idealizado pela chefe da Enfermagem da FCecon, enfermeira Shirley Fragoso.

Os povos indígenas são população com costumes culturais, religiosos e alimentares diferentes daqueles que vivem nas grandes cidades, como Manaus, explica Fragoso. Por isso, a maioria desses pacientes enfrenta dificuldades para se comunicar com o corpo clínico e até mesmo para aceitar o tratamento, já que precisam passar meses longe de casa.

“É um dos pontos principais. Eles não conseguem ficar aqui muito tempo. Eles têm essa necessidade do convívio familiar. Seguimos os critérios da legislação e procuramos melhorar três pontos: internação, urgência e ambulatório. Todo o percurso até a internação, o atendimento ao indígena em sua totalidade”, explica a gerente do Serviço de Atendimento Médico e Estatístico (Same) da Fundação, Zenóbia Lima.

O fluxo ambulatorial para consultas foi implantado em outubro de 2019, com a presença ainda do “Serviço de Navegação” para adequar o atendimento de acordo com as necessidades desses pacientes. Com o projeto, são criados instrumentos para dar celeridade em consultas e exames na tentativa de permitir que os indígenas, dentro do possível, possam logo retornar ao seu convívio familiar.

Mudanças

Está prevista, segundo Shirley Fragoso, a mudança na ambiência em parte da internação e da urgência, com a colocação de redes e grafismos nas paredes, para que o indígena se sinta familiarizado com o hospital, o que também ajudará em seu tratamento. As redes, inclusive, já estão prontas para serem colocadas.

Outra mudança prevista é um cardápio diferenciado, incluindo alimentos comuns nas aldeias, como banana e macaxeira cozida, frutas, tapioca, peixes como pirarucu, pirão, chás, dentre outros.

“Quando você chega mais próximo dessa pessoa, melhorando a comunicação, o acolhimento, levando em conta sua cultura, oferecendo os alimentos que ele mais come, você vê que eles aceitam melhor o tratamento”, avalia Shirley Fragoso, destacando que as mudanças têm acelerado o tratamento dos indígenas e permitindo que eles voltem para seu convívio familiar de forma mais rápida, que é o principal desejo deles.

Leitura e música

Levar leitura, palavra cantada de contos da literatura amazonense e músicas é um dos objetivos do projeto “Nem todo herói usa capa, alguns leem livros”, que foi lançado em 2019 e está confirmado para o ano de 2020. Idealizado pela Biblioteca do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) – Campus Manaus Zona Leste, a iniciativa de “Biblioterapia” oferece diversão aos pacientes internados na FCecon, contribuindo com o processo de tratamento por meio de leitura e atividades lúdico-pedagógicas.

Segundo o coordenador do projeto, Diego Leonardo Fonseca, a ação é a primeira realizada em um hospital que trabalha com câncer no Amazonas, e teve 73 voluntários nas duas edições realizadas em 2019. Estudantes de Enfermagem, Biblioteconomia, Medicina e Pedagogia e outros cursos passam pelos setores de internação, oferecendo aos pacientes momentos de leveza e descontração.

Mas, para que os voluntários possam chegar até os pacientes, os livros e os próprios alunos passam por processo que prevê a higienização dos objetos, trabalhando assim a segurança hospitalar.

Novas atividades

“Em 2020, as atividades do projeto serão retomadas em meados de fevereiro, com a proposta de continuar com a leitura e ações culturais no FCecon. Uma das novidades para o projeto será a captação de artistas locais, por meio de convite, para colaborarem na realização de atividades e ações temáticas com os pacientes”, afirma o coordenador.

Humanização

A experiência como coordenador de um projeto de humanização desse porte e com essa natureza foi ímpar e uma enorme carga de aprendizado, conta Diego Leonardo.

“Ter a oportunidade de aliar o incentivo à leitura e ao conhecimento com a proposta de oferecer bem-estar e qualidade de vida a pacientes portadores do câncer talvez seja o grande objetivo do projeto ‘Nem todo herói usa capa, alguns leem livros’. A nossa intenção nunca foi apenas possibilitar o acesso à leitura, mas também trazer para essas pessoas uma ‘quebra da rotina’ por meio de um momento diferente, com experiências novas, e possibilitando o compartilhamento de vivências. No final de tudo, nós, voluntários, somos transformados por eles e saímos de cada atividade melhores do que entramos: pessoas melhores”, diz o coordenador do projeto.

*Com informações da assessoria