Fisioterapeuta PCD compartilha experiências profissional com pacientes reabilitados da Policlínica Codajás

Foto: Rodrigo Santos/ SES-AM

Após sofrer um acidente aos 10 anos e ter a perna esquerda amputada, Kayane Carneiro, 31, decidiu transformar a perda em motivação e seguiu a profissão de fisioterapeuta. A jovem prestou e foi aprovada no último concurso da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), em 2014, trabalhando na rede de saúde estadual há quatro anos.

Atuando desde 2016, a profissional utiliza a própria experiência para auxiliar os pacientes que atende no Centro Especializado de Reabilitação III (CER III), localizado na Policlínica Codajás, zona sul da cidade.

Kayane não esconde o amor que tem pela profissão escolhida e explica como tudo aconteceu. “Eu fui me apaixonando (pela profissão) porque eu via a dedicação desses profissionais para cada etapa, para que eu pudesse vencer. E eu decidi que eu queria fazer a mesma coisa que eles fizeram para mim para outras pessoas”, contou a fisioterapeuta.

Pós-graduada em Ortopedia e Traumatologia, Kayane destaca que sempre quis trabalhar para o Sistema Único de Saúde (SUS), por isso concorreu para vagas de Pessoas com Deficiência (PcD) do concurso da SES-AM.

“Foi uma realização muito grande ter passado nesse concurso, porque eu sempre quis ser funcionária do SUS. Porque no SUS a gente vê pessoas que realmente precisam e que realmente são debilitadas, com um histórico sofrido e poder agregar algo na vida delas era o que eu queria”, disse.

Troca de experiências – Uma das pacientes da fisioterapeuta é a jovem Nyna Vitória, 15, que também teve a perna amputada, há quase dois anos, após sofrer um acidente de bicicleta enquanto visitava a família no interior do estado.

“Eu brinco que a Nyna é uma ‘mini-mim’. Então eu me vejo, vejo toda a minha história nela. Eu não sabia muita coisa sobre ela, sabia que o acidente dela tinha sido em dezembro e o meu também. Perdi a perna dia 27 e a Nyna perdeu dia 29 de dezembro. Isso já chamou minha atenção. Perdi minha perna com 10, e ela, com 12 anos”, relatou Kayane.

Além de das histórias semelhantes, Nyna e a fisioterapeuta fazem aniversário no mesmo dia. Kayane conta que pode compartilhar com a paciente as histórias, derrotas, desafios.

Inspiração – Paciente do CER III desde 2019, Nyna disse se inspirar na fisioterapeuta. A adolescente também conta que está ansiosa para a colocação da prótese. “A doutora Kayane foi me motivando também, porque antes eu ficava um pouquinho depressiva por conta do que aconteceu comigo. Ela me mostrou a prótese dela e eu achei muito bonita e colorida com borboletas”.

A paciente revela que também começou a ver vídeos de outras pessoas amputadas, o que a deixou mais animada e motivada a seguir em frente.

A mãe da paciente, Ineida de Oliveira, enfatiza que foi muito importante para a filha encontrar a fisioterapeuta com uma história parecida, além de receber um bom atendimento na rede de urgência e emergência da rede estadual.

“Ela foi atendida no Joãozinho (HPSC da Zona Leste), ela foi muito bem atendida por todos os médicos. Foram uns anjos, fizeram tudo o que puderam por ela. Nós fomos bem assistidas, desde a pessoa que trabalhava no serviço geral aos médicos. Agradeço a todos de lá”, expôs.

(*) Com informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM)