Amazonas

A formatura da mais nova jornalista vinda da aldeia Umariaçu no Amazonas

Foram mais de 500 pessoas na plateia que puderam se emocionar com as palavras dela durante a colação de grau.
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Em um país onde vivem mais de 896 mil indígenas, segundo dados do último Censo Demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a jornalista Djuena Tikuna, de 33 anos, ainda é uma exceção. Nesta época do ano em que são comuns as solenidades de formatura, encerrando assim um ciclo árduo de estudos por meio da conquista do tão sonhado diploma de ensino superior, para ela e, infelizmente, ainda para a realidade de grande parcela da população indígena, esta cerimônia nada tinha de habitual.

Foram mais de 500 pessoas na plateia que puderam se emocionar com as palavras dela durante a colação de grau dos cursos de Comunicação Social da UniNorte, que após 24 anos de tradição na educação em Manaus, teve a honra de formar a primeira indígena em Jornalismo na instituição. O discurso chamou a atenção para a importância da representatividade do povo indígena, em todos os segmentos da sociedade. Uma história que precisa ser narrada e repetida inúmeras vezes para deixar de ser minoria.

Antes de fazer Jornalismo, Djuena iniciou os cursos de Licenciatura em Informática e Letras, mas foi realmente na área de Comunicação que ela se encontrou profissionalmente. Para a mais nova recém-formada, seu papel será o de promover o intercâmbio cultural e de informação entre os povos indígenas e os não indígenas. Usando um cocar no evento, a jornalista relembra que a colação foi um momento inesquecível e de total realização. “Quando fui chamada ao palco para falar com os meus colegas e familiares, me passou um filme na cabeça, com as imagens de todos os momentos de alegrias e dificuldades que passei para chegar até aquele desfecho.”

História

Vinda da aldeia Umariaçu II, em Tabatinga (a 1.110 quilômetros de Manaus), ela mudou-se com a família para a capital amazonense quando tinha apenas sete anos. O pai era vigilante de banco e foi transferido para uma agência no município. A principal dificuldade de Djuena e que a motivou a querer estudar Jornalismo foi a língua; quando chegou na cidade, falava apenas a língua Tikuna. “Na escola sofri bastante preconceito, pois tinha muita dificuldade de falar e escrever corretamente o português. Para vencer esses obstáculos, resolvi me dedicar aos estudos. Passei a escrever poesias e depois a compor músicas”, relembrou.

Inclusive, a música é uma de suas grandes paixões. Djuena já lançou um CD com canções no dialeto Tikuna e já se apresentou no Teatro Amazonas e em espaços culturais de São Paulo e Fortaleza. Mesmo tendo ido morar em Manaus quando ainda era criança, a família nunca deixou que ela esquecesse suas origens. Por exemplo, a avó da jornalista contava histórias do seu povo, falava sobre os costumes e as principais dificuldades. “Tudo isso fez com que eu nunca deixasse de querer representar bem os indígenas”, frisou.

Ao longo do curso de Jornalismo, Djuena apresentou trabalhos e levantou discussões em sala de aula sobre a cultura indígena. Segundo ela, como profissional da Comunicação é essencial transmitir e fazer chegar até esses povos informações de forma correta sobre a saúde, educação e oportunidade de emprego. Com a conclusão do curso, a jornalista já tem planos para a carreira. Em breve, lançará um portal de notícias direcionado aos indígenas. A proposta é mostrar o dia a dia dos indígenas, destacando sua cultura. Paralelo a essa meta, continuará se apresentando como cantora. Nos próximos meses, anunciará as datas dos shows.

Com informações da assessoria

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