Cultura e Entretenimento

Fotógrafo lança livro sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia

Foto: Divulgação

O fotógrafo Bruno Kelly apresenta, nesta sexta-feira (21), o livro “Arapaima”, que traz, em formato on-line, um ensaio visual e emocional sobre uma das mais bem-sucedidas iniciativas de manejo comunitário e desenvolvimento sustentável na Amazônia: o manejo do pirarucu. A live de lançamento inicia às 18h, no Instagram da Editora Artisan Raw Books (@artisanrawbooks), onde o autor do livro recebe o editor Henry Milleo e a jornalista Monica Prestes, que assina os textos da publicação, para um bate-papo.

O projeto foi contemplado no edital Prêmio Feliciano Lana, que faz parte das ações emergenciais da Lei nº 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, operacionalizada no Estado através do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, com apoio do Governo Federal, Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Fundo Nacional de Cultura.

Segundo Bruno Kelly, a publicação para download vai ficar disponível no site livroarapaima.com.br enquanto os livros físicos vão ser distribuídos, de forma gratuita, para bibliotecas públicas da capital e do interior, universidades, espaços públicos de visitação turística e às comunidades ribeirinhas que foram documentadas, no rio Juruá e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Ele destaca que a obra retrata o cotidiano do manejo e como os ribeirinhos, com união e gestão comunitária, conseguiram transformar uma prática cultural tradicional como a pesca do pirarucu, antes realizada de forma isolada e predatória, em uma atividade sustentável.

“A proposta é que as pessoas tenham conhecimento sobre esse projeto, que é possível fazer da Amazônia, dentro do que ela pode dar e sem ser destruída, um retorno para quem mora nas comunidades ribeirinhas. É importante dar essa visibilidade, para que eles possam se ver naquilo que fazem e entender a importância do trabalho, porque eles são os verdadeiros guardiões da floresta, os povos tradicionais, seja o ribeirinho, o indígena ou o quilombola”, afirma o fotógrafo. “Vamos mandar exemplares para as escolas municipais das comunidades polos e para associações de pescadores, para eles usarem como apresentação para entidades interessadas em financiar novas iniciativas para eles”.

Bruno Kelly conta que a narrativa do livro de 80 páginas foi construída em parceria com o editor Henry Milleo, um dos idealizadores da Editora Artisan Raw Books junto com Márcio Pimenta, numa curadoria entre mais de 10 mil fotos e com a escritora Monica Prestes, que relatou a experiência dela e trouxe a perspectiva dos pescadores.

“Usamos as falas dos próprios pescadores, para mostrar o que é a pesca para eles, o que representa a floresta e o ambiente que eles vivem. São narrativas muito importantes como exemplo sobre as comunidades tradicionais da Amazônia”, comenta o autor. “O site fica no ar por mais de dois anos e vai ajudar o projeto a chegar a mais pessoas dentro e fora do País. Pensamos também na continuidade da documentação e, quem sabe, mais para frente fazemos outro livro ou uma exposição de fotos nas comunidades, quando a pandemia passar e todo mundo tiver vacinado”.

Documentação

Em 2012, após acompanhar ribeirinhos em uma temporada de pesca sustentável na região do médio rio Juruá, em Carauari, interior do Amazonas, Bruno Kelly iniciou o projeto de documentação fotográfica do manejo do pirarucu na Amazônia. Ele explica que, em uma década, em diversas expedições realizadas em diferentes períodos de pesca, fez um recorte das comunidades ribeirinhas que trabalham pelo equilíbrio da floresta e dependem dela para a sobrevivência.

“Unindo conhecimentos tradicionais, ciência e empreendedorismo, os ribeirinhos transformaram o Araipama gigas, nome científico do Pirarucu, que deu origem ao nome do livro, em um símbolo de desenvolvimento sustentável, renda e qualidade de vida para os povos da floresta. O conhecimento tradicional permite que eles aproveitem da carne às escamas do peixe, que são usadas, por exemplo, como lixa de unha ou itens de artesanato”, afirma o fotógrafo. “O manejo do pirarucu também ensinou sobre organização comunitária. Divididos por competência, os ribeirinhos gerenciam praticamente toda a cadeia de produção, desde a fiscalização dos lagos durante o período de reprodução dos peixes até a venda, passando pela pesca, limpeza e processamento do pescado, trabalho que envolve homens, mulheres e jovens, sempre atentos às normas legais, ambientais e sanitárias”.

Perfil

Repórter fotográfico formado em jornalismo pela Universidade do Vale do Paraíba, Bruno Kelly é natural de São José dos Campos, interior de São Paulo, e vive em Manaus desde 2009, onde cobre temas relacionados à Amazônia.

As informações são da assessoria