Governo lança campanha para descentralizar atendimento de HIV/Aids

A campanha foi anunciada no auditório Luiz Montenegro, da FMT-HVD, com a participação de vários segmentos que atuam na luta contra o HIV/Aids- foto: Bruno Zanardo

As secretarias Estadual (Susam) e Municipal (Semsa) de Saúde, em conjunto com o Ministério da Saúde (MS), lançaram, nesta segunda-feira (22), a campanha de divulgação da política de “Descentralização do Tratamento de HIV/Aids”. A estratégia visa ampliar o atendimento à população para além da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), unidade da rede estadual de saúde que é referência no atendimento das pessoas vivendo com HIV.

A campanha foi anunciada no auditório Luiz Montenegro, da FMT-HVD, com a participação de vários segmentos que atuam na luta contra o HIV/Aids.

A coordenadora estadual de IST/Aids, Dessana Chehuan, explica que, com a descentralização, as pessoas que vivem com o HIV terão mais serviços à disposição, o que refletirá na qualidade do atendimento. “À medida que o serviço é ofertado em mais lugares, a demanda será absorvida melhor, o que resultará no atendimento mais rápido”, explica Dessana.

A coordenadora ressalta que a nova estratégia visa reduzir a sobrecarga da FMT-HVD e facilitar o acesso ao diagnóstico precoce e atendimento das pessoas vivendo com HIV a outros Serviços de Atendimento Especializado (SAE) implantados nas unidades de saúde municipais e estaduais. Segundo a coordenadora, quase 10 mil pessoas fazem tratamento ambulatorial na fundação atualmente. “Boa parte é de casos assintomáticos, que poderiam ser atendidos nos SAEs, por exemplo”, afirma Dessana.

Estrutura

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, apresentou no evento a estrutura do município de Manaus para ofertar diagnóstico e atendimento de pessoas vivendo com HIV. Ele prometeu ampliar esta cobertura para os próximos anos.

Rede de atendimento

Pacientes portadores do vírus assintomáticos e de gravidade clínica moderada podem receber atendimento na Fundação Alfredo da Matta (Fuam), unidade da rede estadual de saúde e em quatro Distritos Sanitários de Saúde (Disa) da rede municipal – Disa Dr. Antônio Comte Telles (Disa Leste), Disa Dr. José Antônio da Silva (Disa Norte), Disa Dr. Franco de Sá (Disa centro-Oeste) e Disa Dr. Antônio Reis (Disa Sul).

Além dos SAEs, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Artur Virgílio, na zona leste, também será um ponto de atendimento. De acordo com o gerente de vigilância epidemiológica da Semsa, Jair Pinheiro, o objetivo é que o serviço chegue em mais três unidades da atenção básica em 2018. “O município também assumiu o compromisso e planejamento de implantar os serviços em mais 15 UBSs da rede. Isso quer dizer que poderemos chegar a 18 unidades até 2020”, ressaltou.

Referência Terciária

A proposta de descentralização permite que a FMT-HVD seja restabelecida como Centro de Referência Terciária (retaguarda para os casos graves com necessidade de atendimento de alta complexidade) e de Treinamento para a Rede de Atenção.

O médico da FMT-HVD, Wuellton Marcelo Monteiro, afirmou que a descentralização do atendimento das pessoas que vivem com HIV vai ao encontro das diretrizes do SUS, que pregam o atendimento humanizado e cada vez mais próximo à população. “Todo e qualquer agravo que possa ser resolvido o mais próximo possível das pessoas que precisam do Sistema Único de Saúde assim deve ser feito”, comentou.

Ação conjunta

A descentralização é uma ação conjunta do MS, Susam e Semsa, no âmbito do Acordo de Cooperação Interfederativa do Amazonas (Interfam), em parceria com a Aids Healthcare Foundation (AHF) e organizações da sociedade civil. O objetivo da campanha é informar a população sobre a possibilidade de realizar testagens, acompanhamento médico e dispensa de medicamentos em várias unidades de saúde da capital, além da FMT-HVD.

O Amazonas ocupa a terceira posição no ranking de estados que registram os números de novos casos de HIV/Aids. Somente em 2017, foram registrados 2.317 novos casos na região. Mais de 15 mil pessoas foram contaminadas no estado, entre 1986 e 2017.

Mais qualidade de vida

A diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do MS, Adele Benzaken, ressaltou que graças aos avanços no tratamento do HIV/Aids, é possível ampliar o atendimento, o que ajudará a desafogar os serviços oferecidos em grandes centros especializados, como é o caso da FMT-HVD.

Com informações da assessoria