Imunização contra febre amarela faz parte do calendário de vacinação no Amazonas

Foto: Aguilar Abecassis

Manaus e os 61 municípios do interior do Amazonas integram a lista das cidades com recomendação para vacinação contra febre amarela, divulgada esta semana pelo Ministério da Saúde. O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, explica que a recomendação não é novidade e nem é motivo para preocupação. O Ministério da Saúde (MS), disse ele, sempre inseriu a imunização contra febre amarela no calendário vacinal do Amazonas, uma vez que o estado é considerado área endêmica para a doença, por conta da circulação do vírus silvestre em locais de floresta.

No Amazonas, há ocorrência esporádica de casos da doença, em pessoas não vacinadas que entram em áreas de floresta, onde o vírus circula. Por isso, a vacina de febre amarela faz parte do calendário de imunização da população e é disponibilizada durante todo o ano, gratuitamente, em todos os postos de saúde do interior e da capital.

“O Amazonas, assim como todos os estados da Amazônia e da região centro-oeste, sempre foi considerado área de transmissão da febre amarela silvestre. A vacinação, portanto, é uma recomendação antiga e, até por conta disso, temos uma cobertura vacinal muito boa no estado. O que é realmente novo nessa lista divulgada pelo Ministério é a inclusão de alguns estados do sudeste brasileiro, que hoje estão em situação de risco”, destacou o diretor da FVS, unidade da Secretaria de Estado da Saúde (Susam).

Albuquerque ressaltou que as pessoas não vacinadas e que irão para área rural ou de floresta devem tomar a vacina pelo menos 10 dias antes da viagem. “Para entrar nestas áreas, é importante que as pessoas sejam vacinadas. É preciso ser vacinado dez dias antes, porque a vacina só tem validade, só dá proteção, depois desse período. É importante ter esta rotina”, disse. A dose da vacina de febre amarela é considerada única, ou seja, protege a pessoa para toda a vida. 

Cobertura vacinal – Nos últimos quatro anos, apenas cinco casos de febre amarela foram confirmados no Amazonas e todos registrados nas zonas rurais, já que, no estado, o vírus circula apenas em área silvestre.

O número pequeno de casos no Amazonas, segundo o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, deve-se a alta cobertura vacinal do estado, que é acima de 80% da população. Nos últimos 20 anos, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar que uma dose única da vacina é válida para imunizar a pessoa por toda a vida, mais de 7 milhões de doses foram aplicadas em postos de saúde do Amazonas.

Em 2016, a Gerência de Imunizações da FVS-AM disponibilizou aos municípios 618.910 doses de vacina. Em 2017, foram 528.530 doses, para aplicações de rotina. Para pessoas que não têm indicação para receber a vacina, como gestantes não imunizadas e crianças menores de nove meses, a FVS orienta que sejam evitadas áreas rurais ou de floresta fechada. Se a pessoa não puder evitar a exposição, é recomendado que use repelentes, além de proteger o corpo com camisas de mangas e calças compridas.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores. Na forma grave, tem letalidade alta. Os sintomas iniciais da doença são febre alta, calafrios, dor de cabeça intensa, dor muscular, náuseas e vômito. A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período (de horas a um dia) sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença, caracterizada por febre alta, icterícia (coloração amarela da pele e do branco dos olhos), hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. A vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da doença.