Mostra gratuita apresenta fotos que revelam a Amazônia da virada do século 19

Famílias ricas, caçadores, caboclos e seringueiros são alguns dos personagens que retratados na exposição “George Huebner: Photographia Allemã”- foto: SEC/Divulgação

Famílias ricas, caçadores, caboclos e seringueiros são alguns dos personagens que retratados na exposição “George Huebner: Photographia Allemã”. Anteriormente prevista para inaugurar em novembro passado, a mostra será aberta nesta terça-feira (6), às 10h, na Sala Coletiva das Artes, no Sumaúma Park Shopping, no bairro Cidade Nova, Zona Norte, com entrada gratuita.

Reunindo um total de 20 fotografias, pertencentes ao acervo iconográfico do Museu da Imagem e do Som do Amazonas (Misam), a exposição na Sala Coletiva das Artes vai apresentar ao público um panorama relevante da vasta produção de George Huebner (1862-1935), que se tornou um dos principais cronistas da vida na Amazônia entre o final do século 19 e o início do século 20. Alemão de Dresden, ele se estabeleceu em Manaus no final do século 19 e instalou aqui um dos principais estúdios de fotografia do Brasil no período.

Acervo

Ao longo de 50 anos, Huebner colecionou importantes e variadas imagens do cotidiano na Amazônia – dos retratos de ricas famílias da sociedade em Manaus e em Belém ao registro do trabalho nos seringais, do severo dia a dia de trabalhadores da floresta às fotografias de pares indígenas feitas em estúdio, mais tarde reproduzidas em cartões postais que impressionavam os destinatários de outros países.

No período da Belle Époque, no auge do Ciclo da Borracha, o fotógrafo alemão faz a crônica da vida nas cidades e nos seringais. “Ele registra a paisagem urbana, as famílias e a sociedade de Manaós. Mas há também o registro contrastante dos brabos na floresta em condições precárias de vida, em plena atividade extrativa, que financiava em grande parte a riqueza da cidade”, comenta o curador.

Olhar raro

No conjunto, as fotografias reunidas na mostra vão apresentar ao público um pequeno panorama da obra de um dos nomes mais importantes da iconografia amazônica. “O olhar de Huebner é um marco para o entendimento da Amazônia na virada do século 19. Não apenas nos aspectos referentes à paisagem natural, mas também nos aspectos econômicos, culturais e sociais”, aponta Turenko.

“George Huebner: Photographia Allemã” é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com apoio do centro de compras da zona norte. A mostra fica em cartaz até 29 de abril de 2018, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, segundo os horários das lojas do Sumaúma Park.

Trajetória

Nascido Georg Hübner em Dresden, em 1862, foi um dos principais fotógrafos da segunda geração de europeus que se estabeleceram no Brasil. Com um olhar de rara sensibilidade, ele registra imagens de inúmeras etnias indígenas amazônicas – muitas hoje extintas – e das figuras ilustres e desconhecidas das duas grandes metrópoles da região na época da borracha, Manaus e Belém.

Após fixar residência em Manaus, no final do século 19, o fotógrafo latinizou seu nome, a partir daí grafado como “George Huebner”. Entre 1899 e 1900, ele inaugura o ateliê Photographia Allemã, na rua São Vicente (atual rua Bernardo Ramos), em frente ao Palácio do Governo.

Em 1902, Huebner se associa a Libânio do Amaral, professor da Academia Amazonense de Belas Artes, e juntos inauguram a nova sede do Photographia Allemã, na avenida Eduardo Ribeiro, na altura da Henrique Martins, com a assinatura de G. Huebner & Amaral.

Em 1908, o Photographia Allemã recebe o Grande Prêmio da Exposição Nacional do Rio de Janeiro, onde Huebner exibiu trabalhos de seus estúdios de Manaus e Belém, e de sua viagem pela região como fotógrafo oficial ao lado do governador Constantino Nery, realizada em 1906.

Sobre o Misam

Inaugurado em novembro de 2000, o Museu da Imagem e do Som do Amazonas (Misam) tem como missão a guarda, conservação e preservação de acervos audiovisuais voltados para temas regionais e gerais, com o intuito de divulgar, entreter e educar por meio de ações culturais.

O acervo do museu é formado por aquisições e doações de diversas entidades e colecionadores, de cunho museuológico (equipamentos de fotografia, cinema, música, TV, peças de mobiliário, entre outros), iconográfico (fotografias em papel, negativos, cartões postais, selos), bibliográficos e arquivísticos (livros, catálogos, partituras musicais, pôsteres de cinema, etc.) e audiovisuais/multimídia (filmes ou documentos em DVD e Blu-Ray, fitas e película, música em vinis, cassetes e outros formatos).

O museu está localizado no complexo cultural Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, Centro de Manaus.

Com informações da assessoria