Mulher e bebê morrem após parto em hospital; família alega negligência da Hapvida

Márcia Cabral faleceu na manhã desta quinta-feira (17), durante um procedimento pós-parto - Foto: Montagem/Portal Manaus Alerta

Grávida de sete meses, Márcia Dayana Fonseca Cabral, de 38 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (17), durante um procedimento pós-parto, após ter sido internada no Hospital Rio Amazonas, da rede Hapvida, que fica localizado na rua Belém, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. Familiares da vítima estão acusando a unidade hospitalar de negligência por conta da demora no atendimento da gestante, considerada paciente de alto risco.

Amiga de Márcia há mais de 20 anos, a enfermeira Arlene Rocha, 37, deu mais detalhes do ocorrido à reportagem do Portal Manaus Alerta. “A Márcia estava grávida de 27 semanas, e ela apresentava um edema generalizado. Isso frisa ainda mais o fato de que ela e o bebê mereciam os devidos cuidados, mas ficou perceptível que os médicos daquele hospital são despreparados”, contou.

À reportagem, Arlene explicou que a gerente do Da Vinci Hotel deu entrada no hospital por volta de meia-noite desta quinta, mas só foi atendida por volta das 5h da manhã, depois de ter perdido uma quantidade considerável de líquido amniótico – o que, segundo a enfermeira, contribuiu para a perda do bebê.

O drama

Márcia chegou a ser internada no sábado (12), mas foi liberada pelos médicos do Rio Amazonas por volta de 1h da manhã de domingo (13), segundo informou Arlene. “Quando foi ontem (16), por volta de 11h da manhã, ela [Márcia] me ligou dizendo que estava sentindo muita dor e que estava com um forte sangramento com coágulo”, relatou.

Segundo a enfermeira, Márcia deu entrada na unidade hospitalar por volta de 12h30 de ontem com uma hemorragia intensa, mas só conseguiu ser atendida por volta das 14h. “Um hospital de uma rede privada que não possui estrutura suficiente, que não tem uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)? Como pode isso? Sem contar os médicos que não se sensibilizaram com a situação”, desabafou Arlene.

Ainda segundo a enfermeira, Márcia só foi transferida para outra unidade hospitalar depois de morta. “Ela chegou no Hospital Rio Negro e o médico de lá constatou que ela já estava em óbito. Até ele ficou sem entender o porquê da outra unidade (Hospital Rio Amazonas) ter feito a transferência de um cadáver”, destacou.

Arlene contou, ainda, que a gestante chegou a fazer várias transfusões de sangue. “Ela chegou a sofrer cinco paradas cardíacas e morreu por volta de 1h10 da manhã, por conta da hemorragia intensa, conforme aponta o atestado de óbito. Daí, o que a direção do hospital fez? Resolveu transferir o corpo, isso por volta de 1h30, na tentativa de abafar o caso e não manchar a imagem do hospital”, contou a mulher.

A equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria do Hapvida em Manaus, a fim de obter mais informações sobre o caso. Porém, até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta.

Funerária São Francisco – Foto: Portal Manaus Alerta

Velório e sepultamento

O corpo de Márcia Cabral foi velado na Funerária São Francisco, que fica situada na avenida Carvalho Leal, bairro Cachoeirinha (ao lado do T2), Zona Sul da capital. Na ocasião, a mulher carregava o bebê – que nem chegou a nascer – em seu colo, durante as últimas homenagens prestadas por amigos e familiares.

O sepultamento aconteceu por volta de 15h30, no Cemitério São Francisco, localizado na rua Cel. Pedro de Souza, bairro Morro da Liberdade, Zona Sul.

Por Narel Desiree

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