No Delphina Aziz conta com ambulatório para pacientes com sequelas da Covid-19

Foto: Rodrigo Santos/SES-AM

O Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) abriu, de forma pioneira, o ambulatório do Hospital Delphina Aziz com foco no atendimento de pacientes que não estão mais na fase de transmissão da Covid-19, mas que permanecem internados em virtude das sequelas deixadas pela doença. Atualmente, 60% dos leitos de UTI da unidade são ocupados por pacientes nessa condição, segundo informação divulgada pelo governador Wilson Lima em coletiva nesta terça-feira (27).

Apesar de focar na fisioterapia, o ambulatório conta com uma equipe multiprofissional, oferecendo acompanhamento também nas áreas de enfermagem, fonoaudiologia, nutrição e psicologia.

A gerente de Assistência do Hospital e Pronto-Socorro, Walterlânia Souza Brandão, ressalta a o trabalho multidisciplinar que é realizado. “É o primeiro ambulatório que tem consultas de enfermagem, isso é pioneiro, é uma grande conquista do Delphina nesse processo. O paciente passa primeiro por todos esses profissionais, para depois seguir para a fisioterapia”.

Walterlânia destaca que a população só obteve ganhos com a cobertura oferecida pelo ambulatório e contou o relato de um paciente atendido, que disse nunca ter passado por consulta com um fisioterapeuta, por exemplo.

Ocupação na UTI

Dos 90 leitos de UTI do Hospital Delphina Aziz, aproximadamente 60% estão ocupados por pacientes que não têm mais Covid-19, mas seguem em recuperação das sequelas deixadas pela doença. A informação foi dada pelo governador Wilson Lima, durante entrevista coletiva para falar sobre indicadores da Covid-19 no Amazonas e as medidas do Governo do Estado para enfrentamento à pandemia.

“É um paciente que teve seu quadro de diabetes agravado, é um paciente que teve a questão renal comprometida, e tem paciente que está há mais de quatro meses lá no Hospital Delphina Aziz, e que precisa de um leito de UTI”, explicou o governador.

Ainda segundo Wilson Lima, é responsabilidade do Estado garantir assistência a esses pacientes até que se recuperem totalmente das sequelas causadas pela Covid. No momento, o Governo do Amazonas discute, junto ao Governo Federal, novas estratégias para melhor assistir os pacientes no atual cenário.

“Esse é um entendimento que a gente está tentando ter com o Governo Federal de como é que a gente vai fazer esse processo de desospitalização ou de mudança desse paciente para um hospital de retaguarda, ou colocar ele na rede”, enfatiza.

Fluxo

O acompanhamento ambulatorial no hospital iniciou no último dia 15 de outubro. O serviço tem dois fluxos de acesso. Um é para os pacientes que estiveram internados na própria unidade. Nesse caso, no momento da alta, o médico indica ao setor de fisioterapia que o paciente precisará de reabilitação.

A outra porta de entrada é por meio de encaminhamento médico, de outras unidades, como Unidade Básica de Saúde (UBS). Nesse caso, o médico responsável pelo atendimento na UBS, por exemplo, faz o encaminhamento para o Delphina Aziz por meio da Central Unificada de Regulação e Agendamento de Consultas e Exames (Cura).

O secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, destacou que o Estado está se adaptando a uma nova realidade de pacientes. “Esse paciente pós-Covid não existia na rede. Então temos pacientes saindo do agravamento da Covid e precisando de atendimentos da assistência, seja na fisioterapia ou em outras especialidades”.

Perfil do paciente pós-Covid – O coordenador de fisioterapia do Delphina Aziz, Érick Paiva, explica que o perfil da pessoa que precisa do atendimento é um paciente que ficou enfraquecido, em decorrência da doença e do longo período de internação. Geralmente com idade entre 45 e 60 anos.

“São pacientes que, por conta da Covid-19, tiveram internação prolongada, e em decorrência disso tiveram um declínio funcional muito grande, perderam capacidade de independência, então nossa proposta é reabilitá-los em cima dessas funcionalidades”, informa Érick Paiva.

No momento da alta, o paciente do hospital que vai precisar do serviço é encaminhado para uma consulta em fisioterapia. No dia marcado, ele é avaliado pelos profissionais do ambulatório. Confirmando a necessidade de reabilitação, são marcadas as sessões.

“O programa traz uma consulta para cada dez sessões de atendimento. Após esses dez atendimentos, tem uma nova consulta, para avaliar a condição do paciente, e a partir disso podemos prolongar ou não as sessões, de acordo com a evolução do paciente”, explica Érick Paiva.

Na primeira consulta, o paciente é submetido a testes para medir, por exemplo, a capacidade pulmonar, assim como testes de caminhada, de sentar e levantar.

“Todos esses testes vão nos dizer se o paciente tem ou não capacidade de realizar as atividades de vida diária. A partir daí, a gente elabora um programa de treinamento para ele”, informa o fisioterapeuta.

O fisioterapeuta explica, ainda, que a maioria dos pacientes até consegue se manter respirando normalmente, desde que em repouso. A partir do momento em que é exigida uma demanda metabólica um pouco maior, como por exemplo, caminhar, escovar o dente em pé, tomar banho, os pacientes começam a apresentar desconforto, cansaço, tendo que interromper a atividade para recuperar o fôlego, e é em cima desses pontos que o profissional atua.

Exercícios

Cada sessão de fisioterapia tem em média 50 minutos de duração. Os exercícios fazem uso de equipamentos como esteira e bicicleta. Os pacientes também fazem circuito de caminhada e exercícios que simulam situações do dia a dia, como subir rampas e escadas.

Novo espaço

A central de reabilitação do Delphina Aziz, onde funciona o ambulatório, é mais uma área que foi aberta este ano, pela nova gestão da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). A abertura do setor ocorre de forma gradual. Em pleno funcionamento, terá capacidade para atender até 148 pacientes por dias.

As informações são da assessoria