Ossada de baleia-jubarte achada em praia de rio e precisa de R$ 90 mil para ser exposta

Foto: Acervo Iepa/Divulgação

Formada por mais de 150 peças, a ossada da baleia-jubarte que encalhou no fim de 2018 em praia de rio em Macapá segue guardada no acervo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa). A previsão era que ainda este ano o material fosse montado e exposto no Museu Sacaca, na capital, mas por falta de recursos, o projeto não se tornou realidade. As informações são do G1. 

Os restos mortais da Megaptera novaeangliae foram encontrados no dia 15 de dezembro de 2018, por moradores da localidade de Ilha Vitória, no arquipélago do Bailique, a 180 quilômetros de Macapá. Foi o primeiro registro de encalhe dessa espécie marinha na costa amapaense.

A ossada logo foi acolhida por profissionais do Iepa, que passaram a estudar o animal. O trabalho também teve ajuda do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM).

A primeira missão era trazer o material para a sede da capital. Em janeiro foi realizada a primeira operação de resgate, que retirou os ossos da margem do rio para uma região onde a água não pudesse chegar, e, assim, evitar a perda de peças.

Transferência da ossada da baleia-jubarte, da praia no Bailique para o Iepa — Foto: Acervo Iepa/Divulgação

Cerca de uma semana depois, a ossada foi transferida para Macapá. Por aqui os ossos foram enterrados, para retirada da gordura do animal. Em julho houve a escavação dos ossos, a lavagem e secagem deles, e, assim, a inclusão no acervo do Iepa.

De lá para cá, o que foi possível descobrir é que a baleia-jubarte tinha em torno de 12 metros de comprimento. Tecidos dos ossos foram coletados pelo Instituto Mamirauá, que busca identificar à qual família o animal pertence e qual era o sexo. Não se sabe o que causou a morte da baleia.

A pesquisadora Cláudia Silva, coordenadora do núcleo de mastozoologia, que estuda mamíferos, acompanha a história da ossada desde o início. Ela contou que por falta de recursos ainda não foi possível realizar a exposição permanente. Ela reforça que, atualmente, o valor previsto para o trabalho é de R$ 90 mil.

“A gente pretende que o trabalho seja feito ainda no próximo semestre, com previsão de recursos de R$ 90 mil. Estamos sondando as possibilidades, solicitamos ao governo, políticos e ainda buscando editais que sejam voltados à conservação dessas espécies”, afirmou.

Cláudia descreve também que a previsão de recurso já foi reduzida (inicialmente era R$ 110 mil), e que o valor atual é necessário para um trabalho especializado que não tem no estado.

“O recurso é usado basicamente para a montagem, que envolve custo elevado, desde trazer o profissional especializado, até o material que ele vai utilizar para remontar ossos perdidos ou danificados e passar uma proteção para os ossos porque nossa intenção é que eles fiquem a céu aberto, como é a característica do museu”, ressaltou.

Após o processo de secagem, que aconteceu até setembro, as peças foram guardadas pelo núcleo de mastozoologia. Enquanto o recurso não chega, o material é usado para estudos da biodiversidade, registros da espécie, biogeografia.

“Está servindo para pesquisas mais específicas de cetáceos porque não são grupos possíveis de coleta. São animais ameaçados de extinção, de grande porte, com populações que sofreram redução ao longo da história, embora hoje estejam em um processo de expansão”, acrescentou Cláudia. Ela ressalta que também é intenção entender como o animal marinho parou numa praia de água doce.

“A população mais conhecida de baleia-jubarte é a que se alimenta no hemisfério sul, nas ilhas da Argentina e se reproduzem no Arquipélago de Abrolhos [na Bahia]. A migração delas é essa. Esse registro tão ao Norte é um registro conhecido no mar aberto, mas entrando no Amazonas não se tinha registro. Foi um desvio. Pode ser que o animal tivesse ferido, ou encontrou com embarcação e saiu da rota dele. Aguardamos o resultado da análise genética”, destacou.

O animal só foi encontrado vivo em águas próximas ao Amapá longe da costa, ou seja, em águas profundas e oceânicas, durante as pesquisas de buscas por petróleo, informou o Iepa. Na costa Norte do Brasil, só existe o registro de encalhe de baleias-jubarte nos estados do Maranhão e Pará e, agora no Amapá.