Pesquisadores realizam censo demográfico e socioeconômico da Reserva Mamirauá

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(Foto: Bernardo Oliveira)

A redução da mortalidade infantil nas Reservas Mamirauá e Amanã, na Amazônia Central, em cerca de 67% é uma das grandes conquistas do Instituto Mamirauá. A constatação deste e de outros índices positivos gerados por ações multidisciplinares desenvolvidas na região foi possível graças aos levantamentos de dados demográficos e socioeconômicos realizados periodicamente desde a chegada dos primeiros pesquisadores do Projeto Mamirauá, que deu origem ao instituto.

 

Nos últimos meses, foram realizados o censo demográfico e o levantamento socioeconômico de 2019 da Reserva Mamirauá. Na Reserva Amanã, o levantamento aconteceu em 2018 para a elaboração do Plano de Gestão da reserva.

Em uma expedição subindo o Rio Solimões, a equipe fez a pesquisa na área de mais de um milhão de hectares da primeira unidade de conservação do modelo de desenvolvimento sustentável fundada no país.

 

A expedição aconteceu em três etapas dividas pelas regiões dos municípios de Uarini, Fonte Boa e Maraã. Com duração de cerca de 20 dias cada, as viagens foram iniciadas em fevereiro e finalizadas em maio.

 

“É possível ter um panorama da região e, com as informações socioeconômicas, investigar se as ações que estão sendo realizadas naquela região estão dando resultados. O caso da mortalidade infantil é emblemático porque quando se iniciaram os primeiros levantamentos do Instituto Mamirauá e os posteriores, se teve a noção de como se alterou alguma situação dentro daquele território”, explica Ana Claudeise do Nascimento, líder do Grupo de Pesquisa em Territorialidades e Governança Socioambiental e coordenadora do censo.

 

Claudeise explica que o grupo de pesquisa concluiu, após estudos, que a periodicidade ideal para a realização desse levantamento é de cinco em cinco anos. Não é feita sempre assim, entretanto, por falta de recursos. “Só dá para confirmar quando temos a garantia [dos recursos], mas metodologicamente este é o período aconselhado porque conseguimos ter maior precisão na avaliação das ações”, diz. O último censo da Reserva Mamirauá foi realizado em 2011.

 

Posteriormente, os dados são utilizados pelos diferentes programas do Instituto Mamirauá na elaboração de projetos como a implementação de tecnologias sociais, desenvolvimento de ações de saneamento básico, conscientização ambiental e manejo adequado de recursos naturais. “É possível comparar, por exemplo, como as comunidades onde é realizado algum tipo de manejo se diferem economicamente das localidades onde não é”, afirma.

 

Retorno às comunidades

 

Após a computação das informações coletadas, os resultados serão divulgados e levados às lideranças comunitárias da Reserva Mamirauá. De acordo com a pesquisadora, o retorno é importante para que as comunidades possam também reivindicar e avaliar ações usando embasamento do censo, garantindo assim, maior autonomia e organização às populações ribeirinhas. “É importante para conhecer o local e pensar estrategicamente em ações direcionadas, que só são possíveis com esses dados. É essencial na construção de políticas públicas. ”

 

Além da parceria com a Associação de Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antonio Martins, a equipe também contou com a boa receptividade dos moradores da reserva, que conhecem o trabalho realizado pelo Instituto Mamirauá. “Eles nos veem como parceiros”, conclui.

 

Censo do Instituto Mamirauá

 

O Instituto Mamirauá não utiliza os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) porque, diz Claudeise, “é preciso responder a questões mais específicas e locais dessas regiões, que tem muitas particularidades. Como o fato de, por exemplo, a Reserva Mamirauá ser uma área de várzea. Uma pergunta que se faz na várzea não é possível fazer em outras partes do Brasil”. A várzea é um ecossistema da Amazônia que alaga grande parte das comunidades em épocas de cheia. Os meios de sustento das populações ribeirinhas estão diretamente ligados a essas variações.

 

Para o futuro, a equipe buscará expandir replicar a metodologia e aplicar em outras unidades de conservação para que os dados recolhidos possam abranger resultados mais amplos sobre a região da Amazônia Central.

 

A equipe de coletores do censo foi composta por profissionais do Instituto Mamirauá e alunos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). O projeto é liderado pelo instituto com o apoio do Governo do Estado do Amazonas, da Associação de Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antonio Martins e de outras organizações que atuam no estado.

 

Os resultados do levantamento devem ser divulgados nos próximos meses.