Política

Pesquisas eleitorais são censuradas no novo Código Eleitoral

Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o texto principal do Código Eleitoral com novas regras que diminuem a transparência e enfraquecem a fiscalização de partidos. O projeto impõe a censura ao proibir a divulgação de pesquisas eleitorais na véspera e no dia do pleito. Os levantamentos apontaram tendências de crescimento e queda de candidatos nas últimas eleições. Casos como a vitória do governador Wilson Witzel (PSC), da virada de João Campos (PSB) sobre Marília Arraes (PT), no Recife, e a arrancada final de Romeu Zema para o governo de Minas Gerais foram apontados pelas pesquisas, como sinal da mudança no jogo eleitoral.

Um dia antes do segundo turno das eleições municipais, pesquisa Datafolha mostrou um empate no Recife entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), com 50%. Os dois concorriam à prefeitura da capital pernambucana. Durante toda a campanha, Marília esteve na frente do primo socialistas. Na reta final da campanha, os institutos começaram a mostrar um recuo da candidata e o avanço de João Campos. Os levantamentos registraram a mudança no cenário eleitoral da cidade, que culminou com a virada e eleição de Campos.

Candidato dos bolsonaristas nas eleições de 2018, o agora ex-governador do Rio Wilson Witzel passou toda a campanha com índices baixos de intenção de voto, abaixo dos 5%. Os resultados do primeiro turno das eleições surpreenderam no estado do Rio. Witzel obteve 41,28 % dos votos e Eduardo Paes (DEM), ex-prefeito da capital e que era apontado como favorito pelas pesquisas de inteção de votos, teve 19,56%. O segundo turno entre os candidatos só ficou definido na última semana da campanha, após Witzel, que é ex-juiz federal, ter registrado crescimento considerável nas pesquisas — ele apareceu com 17% das intenções de voto, empatado com Romário (Podemos), na pesquisa Datafolha de sábado. O levantamento na véspera da eleição mostrou o crescimento exponencial de Witzel, confirmado nas urnas.

Em Minas Gerais, o então candidato dos bolsonaristas no estado Romeu Zema (Novo) também cresceu na reta final do primeiro turno das eleições para o governo. O levantamento do Datafolha divulgado na véspera do pleito mostrou Zema já com 24% das intenções de voto, atras do ex-governador Antônio Anastasia (PSDB) e de Fernando Pimentel (PT). Os institutos apontaram o crescimento da candidatura do candidato do Novo somente no sábado, um dia antes da votação.

Em 2016, o Datafolha indicar na véspera das eleições que o tucano João Doria estava a caminho de liquidar a disputa em São Paulo no primeiro turno. As pesquisas mostravam o tucano em ascensão e com folgada vantagem. Segundo o Datafolha, naquele dia Doria alcançou 44% das intenções de votos válidos, e o prefeito Fernando Haddad (PT) tinha 16%.

O Ibope apontou ainda na véspera a tendência que estava se construindo naquela eleição: o candidato Celso Russomano perdeu folêgo. Com as urnas fechadas, Doria venceu a eleição ao governo de São Paulo no primeiro turno, confirmando os apontamentos das pesquisas.