Policial penal usava viatura para traficar na Papuda, diz PCDF

Foto: Arquivo/Metrópoles

Após investigações iniciadas no ano passado pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), em conjunto com a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do DF (PCDF), foi preso em flagrante o policial penal Luiz Paulo Araújo Ferreira Filho, pelo crime de tráfico de drogas. Ele é acusado de praticar o crime dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. As informações são do Metrópoles.

De acordo com a PCDF, o servidor foi preso na madrugada deste sábado (18/01/2020), em um lava a jato de sua propriedade em Ceilândia. Segundo os investigadores, ele traficava usando a própria viatura da Sesipe. Luiz Paulo trabalhava havia 11 anos no complexo. Era responsável pela escola de presos e incumbido de fiscalizar ações de tráfico de drogas dentro da unidade.

O servidor foi flagrado em filmagens realizadas na tarde dessa sexta-feira (17), enquanto fazia ronda na Papuda, colocando para o interior de um dos blocos do Centro de Detenção Provisória (CDP) grande quantidade de maconha (600g), para que fosse “pescada” por um detento. As câmeras foram instaladas em pontos estratégicos para flagrar a ação do policial.

A maconha apreendida pela polícia é avaliada em R$ 100 mil, segundo a Sesipe. O valor aumenta devido à alta demanda e ao difícil acesso à droga no presídio.

“Não há dúvidas de que ele estava traficando. As imagens são claras. O mostram tirando o entorpecente das vestimentas e deixando em uma cela. Instalamos câmeras em locais estratégicos. Uma delas flagrou a ação”, disse o delegado-chefe da Cord, Rogério de Oliveira.

De acordo com o policial, se trata de “um crime repugnante”. “Exatamente porque ele possui a função de servidor público de custódia. Haverá um aumento de pena devido a isso”, acrescentou o delegado, em coletiva de imprensa neste sábado (18/01/2020).

A PCDF monitora o policial desde setembro do ano passado, quando passou a investigar o tráfico de drogas dentro do complexo. Ao ser preso, o servidor admitiu que a ronda no local, mas negou a acusação de tráfico.

“Audácia e destemor”

A juíza Flávia Pinheiro Brandão ressaltou, durante a audiência de custódia, que policial penal “demonstrou extrema audácia e destemor, praticando, ao menos em tese, ilícito em local sob a administração exclusiva do Poder Público”. “Essa circunstância se mostra apta a revelar a periculosidade social do conduzido, não havendo dúvida de que, em liberdade, a ordem pública restará abalada”, assinalou.

Decidiu ainda mantê-lo preso preventivamente porque o relaxamento da prisão causaria, segundo a magistrada, “uma falsa sensação de impunidade”. “Mormente pelo grau maior de reprovabilidade da conduta do agente público que se vale dessa condição para a prática de delitos”, pontuou a juíza.