Brasil

Professor que distraiu crianças em tiroteio dispensa ser chamado de herói: ‘Todos somos’

Redação..
Postado por Redação..

Roberto Ferreira manteve alunos em corredor durante 40 minutos de troca de tiros e foi elogiado pelo secretário de educação. Rio teve 336 escolas ou creches que já tiveram que ser fechadas pela violência em 2017.

Nascido em Xerém, na Baixada Fluminense, Roberto Ferreira se tornou músico, compositor, professor e, recentemente, foi chamado de herói. A “nova ocupação” foi dada pelo secretário municipal de Educação, Cesar Benjamin, após um vídeo viralizar na internet (assista aqui). Nas imagens, é possível observar o servidor público tentando atrair a atenção de seus alunos, no corredor da escola onde trabalha, enquanto um tiroteio do lado de fora assustou moradores por cerca de 40 minutos.

“Eu tiro o elogio de herói. Se for para ser herói, acho que todos somos, especialmente no Rio de Janeiro. A minha missão é educar, ensinar e procurar caminhos cada vez melhores. Para ajudar essas crianças, principalmente nessas áreas mais conflitantes. Eu espero que outras pessoas tenham coragem e fé para continuar seus trabalhos. Eu só vejo solução para o mundo e o Brasil através da educação”, disse.

A rotina de violência requer outras habilidades do professor além das técnicas da licenciatura. “Tem o lado de lecionar, ensinar, educar, mas tem o lado constante do medo, porque do nada surge o confronto, surge o tiroteio e você tem que tomar a decisão imediata de cuidar de si e da criançada”, contou ele.

Em conversa com o G1, Roberto contou que tomou a iniciativa para evitar uma situação de pânico entre as crianças. A escola Ciep Roberto Morena, na comunidade de Três Pontes, em Paciência que, segundo ele convive com a violência há muito tempo, compartilha esta realidade com muitas unidades de ensino do município. No ano letivo de 2017, houve apenas sete dias em que nenhuma escola do Rio fechou por causa de tiroteios. São 336 escolas ou creches que já tiveram que ser fechadas pela proximidade com confrontos armados ao menos uma vez em 2017.

“Eu estava em sala de aula, com cerca de 30 crianças, e houve então um grande tiroteio, perigoso próximo da escola. Aquilo começou um pânico, algumas crianças começaram a chorar e eu fiquei muito preocupado com aquela situação. Me protegendo e protegendo as crianças, levei o grupo para o corredor central do Ciep. Toquei o meu repertório todo e fiquei tocando, aquilo durou uns 40 minutos. Eu dizia ‘não pode levantar, vamos ficar quietinhos no chão’, porque elas gostam de gesticular”, contou o professor.

Roberto Ferreira disse que trabalha no Ciep Roberto Morena há mais de 10 anos e que os problemas são recorrentes. Apesar de conviver com a violência, o professor disse que não observa uma melhora na situação ao longo dos anos.

“É uma realidade que a gente vive de um modo geral. Costuma ser recorrente algumas vezes, as crianças ficam sem aula. Ali é uma área que tem a comunidade de Três Pontes, a cerca de um quilômetro tem a comunidade se Antares, ao lado tem a comunidade do Aço e tem a comunidade do Rola. É uma área de conflito de longas datas. Estou ali há 14 anos e a gente vem acompanhando esses conflitos ao longo desses anos. Infelizmente, não se vê uma melhoria nesse ponto. Então, acontece tudo isso aí. É uma área de problemas recorrentes”, afirmou Roberto.

Fonte: G1

Comentários

comentários

Deixe um comentário