Projeto de Lei cria Comenda Santa Dulce dos Pobres para área social da saúde

Foto: Divulgação/Blog do Folha Missionária

Tramita no Senado um projeto que cria a Comenda Santa Dulce dos Pobres para homenagear pessoas ou empresas que tenham prestado relevantes serviços na área social da saúde. De autoria do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), a proposta (PRS 45/2020) sugere a entrega, anualmente, do diploma de menção honrosa, pela Mesa do Senado Federal, a até três pessoas físicas ou jurídicas, durante sessão que será especialmente convocada com esse objetivo.

De acordo o autor, o objetivo da matéria é reconhecer a atuação da religiosa brasileira que ficou mundialmente conhecida por dedicar sua vida a ajudar os doentes e os mais necessitados além de incentivar iniciativas de apoio social por parte da população. Irmã Dulce foi canonizada pelo Papa Francisco em 2019, tornando-se a primeira santa brasileira.

“Esta proposição busca, portanto, reconhecer o amor de Santa Dulce dos Pobres pelos excluídos e o seu imenso trabalho social, bem como incentivar o desenvolvimento de relevantes trabalhos na área social da saúde. Esperamos que cada pessoa ou instituição agraciada com a comenda possa renovar nossa esperança de viver em um país mais fraterno e mais humano”, afirma o senador na justificativa do texto.

A indicação dos candidatos a receberem a homenagem poderá ser feita por qualquer senador, desde que apresente justificativa ressaltando os méritos do concorrente. A indicação deverá ser avaliada e apreciada pelo Conselho da Comenda Santa Dulce dos Pobres, a ser composto por um senador de cada um dos partidos políticos com assento no Senado. O conselho também terá a responsabilidade de definir, a cada ano, o período de recebimento das indicações. No entanto, a premiação dos agraciados deverá ocorrer no mês de maio, em referência ao mês de nascimento da santa. O texto ainda determina que a partir da escolha das pessoas agraciadas, seus nomes e atuação serão amplamente divulgados pelos meios de comunicação da Casa e em sessão plenária.

Biografia

Maria Ritta Souza Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce, nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914. Desde sua adolescência manifestou a vocação para trabalhar em benefício dos mais necessitados. Aos 13 anos, ao visitar algumas áreas carentes de Salvador em companhia de uma tia, manifestou o desejo de se dedicar à vida religiosa e transformou a casa da própria família em centro de atendimento e passou a atender mendigos e doentes. Aos 18 anos, se juntou à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe, e aos 20 anos foi ordenada freira, quando passou a se chamar Irmã Dulce Lopes Pontes, em homenagem a sua mãe.

Em 1959, a freira baiana fundou a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), que abrigaria tempos depois o Hospital Santo Antônio, referência na assistência à população carente no estado da Bahia. Atualmente, a instituição possui mais de mil leitos e atende diariamente a 4 mil pessoas. “Irmã Dulce era tão respeitada e amada que o Papa João Paulo II, por ocasião de ambas as visitas feitas ao Brasil, fez questão de se encontrar com ela e de conhecer sua obra”, lembra Girão na justificativa do projeto.

Irmã Dulce faleceu no dia 13 de março de 1992 e em 2009, o Vaticano reconheceu as virtudes heroicas da religiosa, autorizando oficialmente a concessão do título de “venerável”, o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heroico, as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade. Ao ser beatificada, em 2011, passou a ser reconhecida como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. Em 2019, a beata foi canonizada recebendo o título de Santa Dulce dos Pobres.

As informações são da Agência Senado