Quadros de Covid-19 em obesos acende alerta em Manaus

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Considerada um importante fator de risco para o agravamento de quadros de Covid-19, principalmente em pessoas com menos de 60 anos, a obesidade aumenta substancialmente as chances de internação e óbito por esse tipo de síndrome respiratória, uma preocupação quando se trata de Manaus, capital que, segundo a última pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde, é a que obteve o maior índice de pessoas com essa  condição no país: 23% da população.

Um estudo americano, desenvolvido na Califórnia, mostrou dados consistentes associando óbitos de pessoas com menos de 60 anos por Covid-19, e o IMC (Índice de Massa Corporal). A pesquisa “Annals of Internal Medicine”, foi publicada este mês, com os dados sobre o tema.

Doutor em saúde coletiva, o cirurgião urologista Giuseppe Figliuolo, explica que as inflamações associadas à condição, são potencializadas nos casos de Covid-19, o que ocorre independente da presença de outras comorbidades que também são influenciadas pela obesidade, como diabetes e hipertensão.

De acordo com ele, a resposta ao tratamento da Covid, por indivíduos obesos, também é mais lenta, em função do processo inflamatório crônico ocasionado pela condição. Texto publicado pela universidade Johns Hoopkins, nos Estados Unidos, mostrou que pacientes jovens que chegavam a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do hospital universitário eram, geralmente, obesos.

Por outro lado, pessoas idosas com obesidade, apresentaram risco menor de agravamento, quando se trata apenas do fator de risco isolado. Ou seja: sem a presença de outras doenças crônicas. Nos Estados Unidos, mais de 36% da população apresenta obesidade, o que ajudou a criar um quadro caótico na pandemia, com um volume alto de mortes pela Covid-19.

Já no Brasil, a última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018), divulgada em 2019, apontou que a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018, representando um aumento de 67,%. A capital com o maior índice de obesidade foi Manaus, com 23%.

“Em um momento em que estamos obtendo resultados importantes na redução de mortes no Amazonas, precisamos conscientizar a população que a redução de peso pode se tornar um fator de prevenção aos quadros mais graves da Covid-19. É hora de adotar hábitos de vida mais saudáveis. Os estudos ainda são muito recentes e os resultados estão sendo confirmados diariamente. Mas, são dados bastante relevantes, que acendem um alerta na comunidade científica e na sociedade em geral”, opinou.

(*) Com informações da Assessoria