‘Quem é você na fila do pão?’ revela talentos culturais ocultos de Manaus para o Brasil

fotos: divulgação

Um talk-show conduzido por Filó, a Básica – personagem do ator, diretor e produtor cultural Paulo Queiroz – vai apresentar ao grande público, local e nacional, por meio de divulgação em redes sociais (Instagram, Facebook e YouTube), 11 artistas das seguintes áreas: Artes Visuais, Audiovisual, Cultura Infância, Dança, Espaços Culturais, Hip-Hop, Literatura, Manifestações Culturais, Música, Teatro e Circo.

Intitulado “Quem é você na fila do Pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, o projeto cultural foi concebido e desenvolvido por Paulo Queiroz, com produção da atriz e diretora Narda Telles, e foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, no edital do Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020, na categoria Teatro, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) da Prefeitura de Manaus.

Queiroz explica que batizou o projeto com essa expressão popular porque decidiu “brincar” com essa gíria utilizada pelas pessoas que querem ironizar outras, quando elas querem demonstrar que são superiores às demais, e também porque a frase irônica foi amplamente disseminada na Internet, justamente onde a série de entrevistas feitas pela Filó serão divulgadas.

“Trata-se de uma série de 11 entrevistas teatralizadas, de 20 minutos cada, que foram concebidas para as plataformas digitais e redes sociais. Essa série terá como entrevistados os fazedores de Cultura da cidade de Manaus, que, embora já desenvolvam um trabalho de qualidade e de grande relevância nas suas respectivas áreas, ainda não tiveram uma oportunidade de mostrar ao grande público o seu trabalho e de contar a sua história de vida e artística”, diz Queiroz.

É por essa razão que, de acordo com Queiroz, a expressão “Quem é você na fila do pão?” ganha um novo sentido no projeto criado por ele. “A minha ideia é mostrar que, embora esses artistas ainda não tenham o devido reconhecimento, eles contribuem de maneira ímpar para a Cultura que é produzida na cidade, por isso eles vão dizer quem eles são na fila do pão, ou seja, qual a importância que eles têm no fazer artístico e cultural de Manaus”, ressalta.

Seleção de artistas

O autor de “Quem é você na fila do pão?” explica que os critérios principais para selecionar os participantes do projeto foram: ser artista, desenvolver atividades culturais relevantes, não ter ainda visibilidade na mídia para si ou para a atividade que desenvolve e ser oriundo de bairros populosos das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, de áreas não privilegiadas, onde há pouco incentivo cultural oficial e acesso à Cultura e, prioritariamente, negros, mulheres, indígenas e pessoas LGBTQI+.

“Existe uma demanda crescente e não atendida em Manaus no que se refere à divulgação dos trabalhos dos fazedores de Cultura de algumas zonas da cidade. Trabalhadores que, embora não estejam nas grandes mídias, desenvolvem um trabalho de qualidade, potente, inovador, criativo e com grande impacto social e relevância cultural. Se, por um lado, os nomes já consagrados conseguem espaço de divulgação nas grandes mídias, estes outros encontram dificuldades por não possuírem um apelo midiático ou por não estarem nos espaços de maior visibilidade. Grande parte desses trabalhadores desenvolve suas atividades na periferia, nas zonas da cidade mais esquecidas pelo poder público ou pela iniciativa privada, onde as diferenças sociais, econômicas e culturais são mais excludentes”, enfatizou.

Participantes – Os selecionados para o projeto são apadrinhados por artistas mais experientes e conhecidos do público, conforme explica Queiroz. “Com o intuito de dimensionar o trabalho desses artistas, os entrevistados serão apadrinhados por grandes nomes da cena cultural de Manaus, que os apresentarão aos que assistirem à série e explicarão os motivos de suas respectivas escolhas”.

Os contemplados são: a bailarina e coreógrafa Mara Pacheco, que coordena o Espaço Cultural Uate (Espaço Cultural), apadrinhada pelo coreógrafo e produtor cultural Jorge Kennedy; a cantora Wendy Lady Oha (Música), que tem como madrinha a atriz Francy Junior; a atriz Gabriela Barbosa (Teatro), afilhada da atriz, diretora, produtora cultural e educadora Narda Telles; a artista de rua Teffy Rojas (Circo), afilhada da produtora cultural e palhaça Ana Oliveira; a cronista e poetisa Rayane Lacerda (Literatura), afilhada da escritora Márcia Antonelli; a B-Girl Vivi (Hip-Hop) afilhada do B-Boy Mayking; a bailarina, performer e professora de dança Priscilla Espíndola (Dança), afilhada da diretora artística, coreógrafa e bailarina Carmem Arce; a professora Idemar Vale (Cultura Infância), que é presidente do grupo folclórico Quadrilha Tradicional Mirim Brotinhos do Amanhã, apadrinhada pelo pedagogo, arte-educador e contador de histórias Ricardo Lopes; o professor indígena Joilson Paulino, ou Kay Vau Massame na língua Tukano (Artes Visuais), que também é articulador de luta fundiária do Parque das Tribos, no bairro Tarumã, em Manaus, mobilizador social, ativista de causas indígenas e fundador-presidente da Associação Indígena Karapãna (Assika), da aldeia Kuanã do rio Cueiras do rio Negro, afilhado do antropólogo João Paulo Lima Barreto Tukano, que é fundador do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi; o precursor do Escangalho Cultural, Jonavegante; afilhado da cantora e compositora Lucinha Cabral; e o ator Remy Sampaio (Audiovisual), apadrinhado pelo ator Adanilo Reis.

Currículo

O ator e diretor Paulo Queiroz é licenciado e bacharel em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com pós-graduação em Gestão e Produção Cultural. Foi diretor artístico da Associação Amazônia Arte-Mythos, dramaturgo, compositor e pesquisador nas áreas da Arte-educação e Preparação do Ator.

Ele também atuou como membro do Colegiado de Teatro do Conselho Nacional de Políticas Culturais e conselheiro municipal de Cultura na cadeira de Teatro e Circo. Queiroz participou de campanhas publicitárias, trabalhos em televisão, teatro, dança, programas de rádio e diversos eventos na área cultural. Ao longo da sua carreira, ele recebeu vários prêmios pelos trabalhos realizados.

Sobre o edital

A Prefeitura de Manaus publicou na edição 4.970 do Diário Oficial do Município (DOM), no dia 19 (quinta-feira) de novembro, a homologação do resultado final dos editais de cultura da Lei Aldir Blanc. No total, 537 propostas foram contempladas, totalizando mais de R$ 20 milhões na cadeia econômica da cultura. Foram contemplados 509 projetos artístico-culturais referentes ao Prêmio Manaus de Conexões Culturais e 28 propostas de espaços culturais aptos a receber o auxílio previsto pela lei. São R$ 19.720.000 voltados aos projetos contemplados pelos editais do Prêmio Manaus de Conexões Culturais e R$ 459.000 para o edital de auxílio a espaços culturais afetados pela pandemia da Covid-19.

Além da verba do Governo Federal destinada à Lei Aldir Blanc, a Prefeitura de Manaus também ampliou os recursos destinados aos trabalhadores da cultura com um aporte financeiro de R$ 6 milhões. A Comissão de Seleção também realizou o remanejamento de verbas previsto nos editais a fim de contemplar o maior número de projetos possível.

Lei Aldir Blanc

A Lei nº 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, destinou o repasse de R$ 3 bilhões para estados e municípios para incentivar ações emergenciais destinadas ao setor cultural afetado pela pandemia. A lei foi regulamentada em nível federal por meio do Decreto nº 10.464/2020, e em âmbito municipal por meio do Decreto nº 4.923/2020, assinado pelo prefeito Arthur Virgílio Neto e publicado na edição n° 4.944 do Diário Oficial do Município (DOM).

A regulamentação estabelece que a Prefeitura de Manaus, por meio da Manauscult e do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), é responsável pela renda emergencial dos espaços artísticos e culturais da cidade afetados pela pandemia, além da publicação de editais e chamadas públicas.

Para o repasse da verba aos trabalhadores e espaços culturais da cidade, foram disponibilizados 11 editais: dez referentes ao Prêmio Manaus de Conexões Culturais, que contempla projetos artísticos e culturais que possam ser realizados de forma presencial, seguindo os protocolos de saúde obrigatórios, ou transmitidos digitalmente; e um edital de credenciamento que oferece subsídio mensal aos espaços culturais que tiveram suas atividades interrompidas pela pandemia da Covid-19.

Com informações da assessoria