Terremotos podem atingir Manaus por conta da exploração de gás natural, diz estudo

foto: Clóvis Miranda

Uma estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) juntamente com a Universidade de Córdoba, na Argentina, e Johns Hopkins University, em Baltimore apontou que Manaus pode ter terremotos futuramente por conta da exploração de gás na região. A pesquisa foi publicada na revista Earthquake Spectra. O Jornal O Globo ouviu os pesquisadores responsáveis pelos dados.

O pesquisador Luiz Vieira, da Unicamp, explicou que a exploração de gás é feita por meio da injeção de água em alta pressão as rochas onde os gases estão depositados. Essa mesma água depois colocada em poços extremamente profundos, motivo pelo qual a água consegue penetrar nas falhas neotectônicas.

Ainda segundo Vieira, essa é a primeira vez que é possível comprovar por meio de análise de dados que é possível ocorrer terremotos em regiões pouco afetadas por abalados sísmicos como é o caso do Brasil. Manaus foi escolhida por está postada sobre uma das maiores reservas de gás natural do país, e ter gerado interesse do Ministério de Minas e Energia.

Mesmo assim o pesquisador salienta que o estudo seve como alerta para a exploração de gás na região, principalmente na área urbana da capital amazonense. “O Ministério de Minas e Energia tem interesse em incentivar essa atividade, mas vale lembrar que outros países tem relatado vários problemas. Um terremoto na região teria impactos principalmente por conta da vulnerabilidade das residências da região metropolitana”, diz Luiz Vieira.

Gás do Amazonas valorizado

O Amazonas está entre os cinco maiores produtores e distribuidores de gás natural do Brasil. De acordo com boletim publicado recentemente pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regula o setor, o estado distribuiu em maio 11% do total ofertado no país.

Desde 2009, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus opera com capacidade para transportar 5,5 milhões de metros cúbicos/dia. Segundo a Petrobras, a malha liga as unidades de produção localizadas no Polo Arara, em Urucu, até a capital amazonense. A extensão desse trecho é de 663,2 quilômetros, além de 139,3 quilômetros distribuídos em nove ramais que chegam a Coari.

Para atrair investimentos e expandir a infraestrutura para outras áreas do estado, o Congresso Nacional discute mudar o modelo de regulação do setor de gás. A ideia, a partir da aprovação do PL 6407/2013, é baratear o preço e democratizar o acesso ao combustível para regiões distantes da costa brasileira. O principal desafio é tornar o mercado mais competitivo, o que hoje não é possível por conta do monopólio da Petrobras.

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